A pandemia de Covid-19 “apagou décadas de avanços para a igualdade de género”, pelo que “é hora de construir um futuro igualitário”, partindo do princípio que esse “é um trabalho de todos, para o benefício de todos”, afirma o secretário-geral das Nações Unidas, na sua mensagem para o Dia Internacional da Mulher que se assinala esta segunda-feira, 8 de março.

Segundo António Guterres, “as vidas das mulheres foram destruídas e os seus direitos erodidos”, e “as consequências vão durar muito mais do que a pandemia”, fruto da elevada perda de empregos, explosão de cuidados não remunerados, escolaridade interrompida e da crise crescente de violência doméstica e exploração.

Este ano as comemorações da efeméride têm como tema “Mulheres na liderança: Alcançando um futuro com igualdade num mundo de Covid-19″, o que leva o líder da ONU a recordar que mais de 70 por cento dos trabalhadores do setor de saúde são mulheres e a destacar o poder transformador da participação feminina nas organizações e nos governos.

“Quando as mulheres lideram no governo, existem maiores investimentos em proteção social e avanços contra a pobreza.  Quando estão no Parlamento, os países adotam políticas de alterações climáticas mais rigorosas. Quando estão na mesa de negociação de paz, os acordos são mais duradouros”, afirma Guterres, sublinhando que “num mundo dominado por homens com uma cultura dominada por homens, a igualdade de género é essencialmente uma questão de poder”.

O secretário-geral da ONU alerta ainda que, à medida que o mundo se recupera da pandemia, os pacotes de apoio e estímulo devem ser direcionados especificamente às mulheres e meninas, inclusive por meio de investimentos em empresas pertencentes a mulheres e na economia de prestação de cuidados. A recuperação constitui a “oportunidade de deixar para trás gerações de exclusão e de desigualdades”, conclui.

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