A última de três conferências “Conferências Allamano”, dedicadas ao fundador dos Missionários e das Missionárias da Consolata, aconteceu na noite de quinta-feira, 4 de março, através da plataforma zoom. A sessão foi uma ocasião para conhecer a experiência missionária de José Matias, que está a celebrar as suas bodas de ouro sacerdotais, e do casal Rui Sousa e Viviana Nunes, Leigos Missionários da Consolata (LMC). Testemunhos apresentados “à luz do carisma e da espiritualidade Allamaniana”, conforme destacam os Missionários da Consolata.

“Sou muito feliz por ser missionário”

O padre José Matias nasceu em setembro de 1944, no concelho de Mação, entrou no seminário da Consolata em Fátima em 1956, e a sua ordenação sacerdotal aconteceu a 3 de janeiro de 1971. O sacerdote esteve em missão em Moçambique, e, em território português, fundou os Jovens Missionários da Consolata, acompanhou a formação de futuros missionários, encontrando-se atualmente em missão no bairro social do Zambujal, na Amadora.

Na noite de quinta-feira, o sacerdote apresentou o seu testemunho missionário, agradecendo a todos quantos têm partilhado a vida sacerdotal consigo e as suas diferentes experiências missionárias. Para o religioso, a celebração das bodas de ouro “é uma festa missionária”. “Sou muito feliz por ser missionário da Consolata. Nunca, em 50 anos, me senti só nem infeliz, apesar das dificuldades que foram surgindo ao longo da vida. Deus deu-me a possibilidade de continuar a missão evangelizadora de Jesus. Somos pessoas que nos deixamos consolar por Deus e, depois, levamos essa consolação ao longo da vida”, realçou.

O sacerdote esteve em missão em Moçambique “no tempo da guerra, da independência”, vivendo momentos de grande aflição, e, simultaneamente, de esperança, considerando que o sofrimento vivido contribuiu para “purificar” a sua fé e viver a “vida religiosa de uma maneira diferente”. Ao mesmo tempo, as dificuldades fizeram “florescer as comunidades cristãs que se tornaram”, apesar das contrariedades, “mais firmes”. Apesar do sofrimento, o padre Matias destaca que ficou o “essencial” – a “Palavra de Deus”.

A vida missionária em Portugal, e o contacto com as gerações mais novas, foi um momento muito apreciado e de grande alegria e entusiasmo para o padre Matias. “Foi uma riqueza. A juventude ajudou-me a ter espírito jovem”, disse o missionário, acrescentando que acredita que ainda hoje a sua vida manifesta os benefícios por ter contactado com muita população juvenil.

Atualmente em missão no Bairro Zambujal, a missão assume outras dimensões, mas é de um enorme gosto e apreço para o sacerdote, que afirma ali viver “uma experiência de proximidade com as pessoas”. “Sempre gostei. É uma missão de rua, de dizer olá, de poder interagir com várias entidades que existem no bairro”, explicou. A atual pandemia colocou um ‘travão’ em muitas das habituais interações, mas há a esperança de que no futuro a proximidade possa vir a ser recuperada.

O missionário deixa um balanço da sua vida. “Passaram 50 anos e continuo muito feliz. A vida ganha qualidade enquanto é doada e partilhada. Acredito que a missão é uma resposta de gratidão pelo amor recebido por Deus”, destacou. Após o testemunho do padre Matias, foi tempo de escutar o casal Rui Sousa e Viviana Nunes, Leigos Missionários da Consolata (LMC), que estiveram em missão na Colômbia.

“Quero ser consoladora”

O casal apresentou parte da sua história de vida, demonstrando a presença de Deus, de Nossa Senhora da Consolata e dos ensinamentos e palavras de Allamano ao longo do seu percurso pessoal. “Tenho um amor profundo por esta Mãe consoladora. Eu quero ser consoladora”, disse Viviana Nunes, destacando a “pureza” com que Allamno encarou a vivência em comunidade.

“Basta amar. O convite ao amor fraterno é aquilo que nos inspira”, disse a LMC, admitindo que “olhar a vida enquanto casal à luz da vida comunitária” é um desafio que deve estar presente no dia a dia. “Sem amor fraterno, a missão não vai à frente”, acrescentou. A Leiga Missionária da Consolata falou ainda sobre a importância da fé na vida. “Quem tem fé tem este ‘colinho’, presença e amor” na sua vida. “Mãe, mulher e missionaria. É o que eu sou”, realçou Viviana Nunes.

Peregrinação foi “um grande sucesso”

A última das conferências que marcou o encerramento da Peregrinação da Consolata, este ano em ambiente digital devido à atual pandemia, reuniu cerca de 70 participantes. Além do testemunho do padre Matias e do casal de leigos, a noite contou com um momento musical, protagonizado por Mariana e Beatriz Campos, duas jovens de Figueiró dos Vinhos, que afirmaram ter já participado, com muito entusiasmo e alegria em anteriores peregrinações da Família Missionária da Consolata.

A noite foi ainda brindada por um vídeo, que apresentou os momentos que tiveram lugar desde o início da peregrinação online. O encontro contou também com as intervenções de Simão Pedro e Álvaro Pacheco, sacerdotes missionários da Consolata, e da LMC Teresa Silva. O encerramento esteve a cargo de Bernad Obiero, Conselheiro da Região Europa do Instituto Missionário da Consolata.

O responsável agradeceu a todos os que contribuíram para que a 31ª Peregrinação da Família Missionária da Consolata se tornasse uma realidade, apesar de todos os constrangimentos desencadeados pela atual pandemia. “Com a pandemia descobrimos um grande meio de comunicação, de encontro, de oração”, destacou o sacerdote missionário, que encerrou o encontro com um momento de oração, onde foram recordadas as vítimas da Covid-19. Apesar de ter ocorrido em moldes tão diferentes dos habituais, a peregrinação online da família missionária da Consolata foi considerada “um grande sucesso”.

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