O encerramento generalizado dos estabelecimentos escolares como medida de emergência para travar os contágios do coronavírus ameaça reverter uma década de progressos na nutrição infantil. O ano passado, pelo menos 199 países fecharam as suas escolas, deixando cerca de 370 milhões de menores sem a sua principal refeição do dia.

No seu mais recente relatório, o Programa Alimentar Mundial (PAM) estima que a interrupção destes sistemas de distribuição de alimentos às crianças mais vulneráveis reverterá cerca de 10 anos os avanços antes conseguidos a nível global. Em 2020, o número de menores que beneficiavam da alimentação escolar era o maior da história.

O documento destaca ainda que as refeições escolares têm um grande efeito positivo na vida das crianças de famílias pobres, já que evitam a fome, apoiam a saúde a longo prazo e ajudam na aprendizagem. Os benefícios são mais evidentes nas meninas, que permanecendo mais tempo na escola ficam menos expostas ao perigo do matrimónio infantil ou de uma eventual gravidez precoce.

“A comida diária é, com frequência, a razão pela qual as crianças famintas vão à escola. Também é um incentivo que garante que regressarão às aulas quando se levantar a atual contingência”, esclarece o diretor executivo do PAM, David Beasley, reclamando o regresso rápido dos programas alimentares escolares para evitar que a pandemia “destrua o futuro de milhões de crianças vulneráveis no mundo”.

Segundo dados da ONU, entre 2013 e 2020, a cifra de crianças que recebiam almoços escolares tinha aumentado 36 por cento nos países de baixos rendimentos e cerca de nove por cento a nível global. Durante esse período, a alimentação escolar chegou a ser a rede de segurança social mais extensa do mundo.

Além dos benefícios nutricionais, os almoços escolares ajudam a desenvolver as economias locais quando os alimentos são comprados na própria comunidade, apoiam a agricultura e fortalecem os sistemas alimentares comunitários ao propiciar uma procura de alimentos mais nutritivos e variados.

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