A líder da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazónia Brasileira (COIAB) descreve a situação das comunidades originárias da região de Manaus como um “cenário de guerra”. Nara Baré alerta para o caos provocado pela falta de produtos básicos, de camas hospitalares e profissionais de saúde, um cenário agravado, agora, pelas falhas no fornecimento de oxigénio, os primeiros casos de reinfecção e a nova variante do coronavírus identificada na capital do estado brasileiro do Amazonas.

Em entrevista divulgada pelo Instituto Socioambiental, a responsável recorda as desigualdades sociais, raciais, geográficas e de acesso aos serviços públicos potenciadas pela pandemia, que atingiram particularmente as populações periféricas, negras e do norte do país. Com os povos indígenas, diz, não foi diferente. Em dezembro, a taxa de mortalidade dessas comunidades estava em 991 por milhão, 16 por cento a mais que o índice nacional, conforme o levantamento independente da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB).

Atualmente, há a lamentar a morte de 959 indígenas, 48,3 mil casos e 161 etnias afetadas pela Covid-19.
Nara Baré refere ainda, que a agravar a situação dramática dos indígenas na capital amazonense, está a falta de assistência por parte da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), do Ministério da Saúde, o que deixa as comunidades indígenas urbanas em todo país excluídas dos grupos prioritários de vacinação, ao contrário dos moradores da zona rural, que já começaram a ser imunizados.

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