Foto: Lusa

A desflorestação provocada pela mineração de ouro retrocedeu 78 por cento na região sul da Amazónia peruana, mas continua a ser uma ameaça nas zonas onde causou gravíssimos danos, que recentemente foram mostradas novamente ao mundo numa imagem captada a partir da Estação Espacial Internacional (EEI).

O governo peruano decidiu enfrentar esta crise em 2019, com a implementação do Projeto Mercúrio, tem alcançado resultados positivos, com a redução da mineração ilegal, mas a extração “continua em algumas “novas zonas quentes”, revela às agências internacionais o diretor do Projeto de Monitorização da Amazónia Andina, Matt Finer.

Apesar das autoridades do Peru terem iniciado a recuperação de algumas áreas na reserva de Tambopata, os especialistas consideram que “vai demorar muito tempo para ver os resultados”. “A desflorestação por mineração até ao momento na região de Madre de Dios terá passado os 100 mil hectares. É uma área muito grande”, refere o biólogo Sidney Novoa, diretor do departamento de Tecnologia de Informação da organização Conservação Amazónica.

Com a divulgação mundial destas novas imagens, o especialistas espera que se volte a “criar consciência” na opinião pública internacional, que “está bastante esgotada, distraída pelo tema da pandemia e o tema económico” e tem deixado “um pouco de lado essa outra fonte de interesse que deveria estar na agenda de muitos cidadãos, que é o tema ambiental”.

Para Novoa, apesar desta grave situação existir desde há três ou quatro décadas, as intervenções de interdição iniciadas pelo Estado peruano com a Operação Mercúrio abriram uma luz de esperança para controlar a mineração ilegal e recuperar parte do território amazónico destruído.

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