A Guatemala, conhecida pela nação da “eterna primavera”, perdeu nos últimos 20 anos cerca de 22 por cento dos seus bosques e passou de uma nação florestal a um país desflorestado, segundo dados veiculados por vários especialistas preocupados com os riscos que esta tendência para a desflorestação pode representar no futuro.

O drama da desarborização é ainda pior se recuarmos uns anos mais nas estatísticas. Em 1986, ano em que o país da América Central recuperou a democracia, a cobertura florestal era de 55 por cento. Hoje, 35 anos depois, a cobertura florestal é de 33 por cento, o que quer dizer que o país perdeu quase metade das suas áreas verdes neste período.

Para diversos analistas, biólogos e ambientalistas, o fator principal que está na origem desta perda frenética de bosques é a ingovernabilidade, num país marcado por altos índices de impunidade. A história da desflorestação na Guatemala “é a história do poder e da impunidade no país”, sublinha Marco Blandón, diretor-geral da Fundação para o Ecodesenvolvimento e Conservação.

Já o biólogo Francisco Moya considera que a desflorestação se deve, essencialmente, ao “modelo económico instaurado na Guatemala”, que “depende diretamente da extração de recursos, como as monoculturas de óleo de palma ou cana-de-açúcar, ou da atividade pecuária que ameaça as áreas protegidas e, em alguma medida, estão associadas ao narcotráfico”.

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