Duas organizações indígenas solicitaram à Justiça peruana que decrete a suspensão do projeto da Hidrovia Amazónica, por considerarem que representa “uma ameaça iminente” para a vida dos povos nativos, já que a obra prevê a dragagem de 2.700 quilómetros de rios na amazónia peruana para melhorar o transporte fluvial.

O objetivo do projeto é manter durante todo o ano um canal de 56 metros de largura e 1,8 metros de profundidade que permita a navegação segura dos navios de carga, que na época seca, quando os rios baixam de caudal, só podem circular com cerca de 30 por cento da sua capacidade de carga.

A hidrovia envolve dragagens em quatro rios – Ucayali, Huallaga, Marañón e Amazonas – dois deles os que têm mais caudal no Peru, em cujas ribeiras vivem mais de 400 comunidades nativas, pertencentes a 14 etnias diferentes. Para as duas principais organizações indígenas de Ucayali, a concretização do projeto “significa uma grave ameaça” à vida destas comunidades, que “dependem da pesca para subsistir”.

O empreendimento está neste momento paralisado, após o consórcio que ganhou a concessão, em 2017, não ter conseguido a aprovação do Estudo de Impacto Ambiental por parte das autoridades peruanas para os investimentos sustentáveis no meio ambiente. Perante este cenário, a Associação Interétnica de Desenvolvimento da Selva Peruana e a Federação de Comunidades Nativas do rio Ucayali e Afluentes pedem ao tribunal que declare a suspensão do projeto até que se tenha a certeza científica que a hidrovia não afetará os rios.

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