Foto: André Catueira / Lusa

Depois de uma visita à província moçambicana de Cabo Delgado, os diretores regionais de sete agências da ONU expressaram “profundas preocupações” pela situação humanitária dos mais de 560 mil deslocados, afirmando que o conflito e a violência deixaram as pessoas sujeitas a violações dos direitos humanos e com acesso muito limitado a alimentos e meios de subsistência.

Em declarações aos jornalistas, os representantes das Nações Unidas disseram ter ouvido relatos comoventes de homens, mulheres e crianças deslocados na cidade de Pemba, capital de Cabo Delgado, e nos distritos de Ancuabe e Chiúre. Também se encontraram com comunidades de acolhimento, visitaram áreas de reassentamento e reuniram com o governador provincial e o secretário de Estado, bem como com líderes religiosos e representantes de organizações civis.

No final, concluíram que esta “é uma emergência complexa de segurança, direitos humanos, humanitária e de desenvolvimento, que destaca a necessidade de assistência e apoio à construção de resiliência de longo prazo liderada pelo governo”. Uma situação agravada pela falta de alimentação adequada, água, saneamento, abrigo, saúde, proteção e educação e pela iminente estação de chuvas, num país sujeito a choques climáticos extremos, como aconteceu em 2019 com os ciclones Idai e Kenneth.

Para minimizar o sofrimento da população, os diretores regionais pediram uma expansão urgente dos programas de proteção, saúde, alimentação e nutrição, bem como intervenções de vacinação e imunização e aconselhamento psicossocial. Também realçaram a necessidade de ajudar agricultores e pescadores a restabelecer seus meios de subsistência; de mais apoio para o reassentamento das famílias; e de mais investimento para promover os direitos humanos e a justiça social, mas também para limitar o impacto de crises atuais e futuras.

No seu relatório, apelaram ainda a iniciativas de desenvolvimento transnacionais que priorizem o empoderamento económico e a inclusão social e política de mulheres e jovens, e a intensificação dos esforços para acabar com todas as formas de violência, incluindo a violência baseada no género e o casamento infantil, investindo mais nas mulheres e meninas como agentes de progresso e mudança.

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