Dois meses e meio depois da ocupação da missão de Nangololo por parte de grupos armados, os missionários de Nossa Senhora de La Salette puderam finalmente voltar à província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, para aferir a dimensão dos estragos. O que encontraram foi um monte de escombros. “Tudo está destruído”, testemunhou o padre Edegard Silva.

Em declarações à agência Fides, o missionário explicou que os insurgentes ocuparam o distrito de Muidumbe a 30 de outubro do ano passado, obrigando civis e religiosos a fugir. Depois de um longo período na zona, os grupos armados abandonaram a missão católica a 19 de novembro, mas deixaram o complexo completamente destruído.

“A casa onde vivíamos ficou reduzida a cinzas. Todos os equipamentos foram queimados, a sede paroquial foi destruída, a rádio comunitária incendiada e a casa das freiras desfeita”, revela o sacerdote, destacando também o sofrimento infligido à população por parte dos rebeldes.

“Encontram-se muitos corpos em decomposição ao longo do caminho e nos locais dos massacres. As ações dos terroristas são violentas, várias pessoas foram decapitadas, casas queimadas e destruídas. Muitas pessoas não conseguem encontrar os seus familiares”, relata o missionário.

Perante este cenário de guerra e destruição, e uma situação humanitária agravada por uma epidemia de cólera e pela pandemia de Covid-19, o padre Silva lembra a importância da “solidariedade internacional” para responder à necessidade de fornecer alimentos, medicamentos, água, abrigos e mantas às centenas de milhares de deslocados.

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