Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial de Saúde

Em todo o mundo, há centenas de milhares de unidades de saúde sem acesso a água potável, o que coloca em maior risco de contágio com o novo coronavírus cerca de 1,8 biliões de pessoas. “Trabalhar nestas condições é o mesmo que enviar enfermeiros e médicos para os hospitais sem equipamento de proteção”, afirma o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Ghebreyesus.

Os serviços de água, saneamento básico e higiene são fundamentais para vencer a Covid-19, mas nos países menos desenvolvidos, a carência destes serviços é ainda muito grande. Segundo um estudo conjunto da OMS e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a nível mundial, uma em cada quatro instalações hospitalares não tem água corrente. E uma em cada três não oferece recursos para a lavagem de mãos. Pelo menos 10 por cento desses locais são desprovidos de saneamento básico e 30 por cento não descartam o lixo hospitalar de forma segura.

Se esta situação já colocava os pacientes e o pessoal de saúde em risco antes da pandemia, agora os perigos são muito maiores. Nos 47 países menos desenvolvidos, por exemplo, uma em cada duas clínicas não tem água potável e em 25 por cento das instalações de saúde não se pode fazer a higiene das mãos. Três de cada cinco são desprovidas de saneamento básico. O relatório recomenda, por isso, um maior investimento global na melhoria da higienização das instalações e dos seus usuários.

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