O recurso ao teletrabalho, que se acentuou no último ano por causa da pandemia, deverá continuar a crescer nos próximos anos, segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O documento destaca também as más condições vividas por alguns dos trabalhadores que cumprem as suas obrigações profissionais a partir de casa.

“Apesar de não ser uma realidade nova, [o teletrabalho] ganhou especial relevância devido à atual situação pandémica e os decorrentes confinamentos e medidas restritivas. Este relatório, que reconhece as vantagens deste tipo de trabalho, permite perceber como a pandemia veio tornar mais claras as más condições de trabalho de muitos trabalhadores e trabalhadoras. E isso é transversal a todas as economias”, destaca a diretora da OIT-Lisboa, Mafalda Troncho, em declarações à ONU News.

Segundo o relatório, antes da crise, havia aproximadamente 260 milhões de trabalhadores em casa em todo o mundo, representando 7,9 por cento do emprego global. Cerca de 56 por cento, ou 147 milhões, eram mulheres. Nos primeiros meses da pandemia, 20 por cento dos trabalhadores estavam em casa, e embora não estejam apurados os números finais de 2020, estima-se um aumento substancial.

Prevendo-se que este aumento se mantenha nos próximos anos, Mafalda Tocho realça a necessidade de uma abordagem profunda aos problemas do setor: “Temos, perante nós, o desafio de criar um futuro do trabalho que enfrente as injustiças que foram expostas por esta pandemia. O relatório partilha boas práticas e inclui recomendações concretas para tornar o trabalho a partir de casa mais visível e, deste modo, mais protegido. É opinião da OIT que só um trabalho de cooperação entre governos, organizações de trabalhadores e empregadores conseguirá assegurar a todas estas pessoas que trabalham a partir de casa tenham efetivamente acesso a um trabalho digno”.

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