“É notório o agravamento da qualidade de vida, educação, saúde e serviços básicos. Sofremos de uma inflação e desvalorização imparável que tem empobrecido toda a população”, afirmam os bispos venezuelanos numa exortação pastoral, tornada pública no final de mais uma Assembleia Plenária, onde foi abordada a atual situação do país.

O documento acusa os governantes de ignorarem a Constituição, nomeadamente o capítulo seis dedicado aos direitos humanos, e manifesta compreensão pelos que têm abandonado o país, face ao agravamento da situação política, económica e social: “Quando os filhos de uma nação decidem abandonar o seu país, é porque, assediados pela precariedade, chegaram a uma situação limite em que não lhes resta outro caminho senão assumir o desafio e o risco de enfrentar o desconhecido”.

Perante a atual conjuntura, o episcopado venezuelano insiste que “o país necessita de uma mudança radical na direção política”, o que requer por parte do governo “a suficiente integridade, racionalidade e sentimento de amor ao país para travar este mar de sofrimento do povo venezuelano”. Ao mesmo tempo, é exigida liberdade de ação às instâncias sociais e às organizações não governamentais na procura de soluções para os problemas que as comunidades enfrentam.

A Conferência Episcopal Venezuela aproveitou ainda para convocar uma jornada nacional de oração, no próximo dia 2 de fevereiro, em que as preces apelem a uma resolução dos conflitos de forma pacífica, à construção de uma sociedade em que todos se reconheçam como irmãos, para que o país possa ver-se reforçado na fé e na esperança.

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