A cidade de Nampula, na região norte de Moçambique, está a enfrentar uma das piores crises de água da última década. Desde outubro do ano passado que a população tem vindo a sentir cada vez mais dificuldade em conseguir água para consumo e higienização e a circulação de pessoas com baldes e bidões à procura de água tornou-se uma imagem habitual.

“É normal sairmos às 02h00 da madrugada e voltarmos às 16h00. Temos conseguido [encontrar água] mas com muitas dificuldades. A situação é mesmo muito triste. Por exemplo, pela água do poço pagamos sete meticais [cerca de oito cêntimos de euro] por um bidão de 20 litros. E pagamos 20 meticais [22 cêntimos de euro] pela água da torneira”, explica à DW África Gizelda Alfredo, residente no bairro de Mutauanha, um dos mais afetados.

Com a falta de chuva, muitos dos poços artesanais que serviam de alternativa à falta de água nas torneiras também secaram, o que compromete também a luta contra a propagação da pandemia de Covid-19. “Dizem que temos de lavar as mãos, mas a água não sai. Assim, como é que havemos de combater o coronavírus?”, questiona Anifa Joaquim, residente no mesmo bairro.

O diretor do Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG) em Nampula, Mateus Saeze, diz que a instituição não conseguirá fazer muitos esforços para fornecer água aos consumidores enquanto não chover, uma vez que a única barragem que abastece a cidade está sem capacidade, devido à seca.

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