A capacidade de resiliência das mulheres da Costa do Marfim não as tem livrado do círculo vicioso da discriminação de género, do absentismo escolar e da pobreza. Muitas continuam a ver-se obrigadas a deixar a escola ainda meninas, a tornar-se horticultoras para garantir a subsistência, mas as técnicas de produção rudimentares acabam por resultar em colheitas pouco animadores e receitas confrangedoras. Há ainda aquelas que cozinham os seus produtos para vender refeições já prontas e outras que recorrem ao micro-crédito para montar o seu próprio negócio, o que lhes garante uma certa autonomia. Mas apesar de todo este esforço, uma grande maioria continua mergulhada na miséria, sujeita aos efeitos devastadores da falta de rendimentos e das normas sociais discriminatórias.
Atentos a este fenómeno, os responsáveis do Centro de Animação Missionária e Vocacional dos Missionários da Consolata de San Pedro idealizaram um projeto de valorização social, profissional e pessoal, que poderá beneficiar cerca de 500 mulheres, em particular aquelas que têm a família a seu cargo.

O investimento previsto é de cerca de 12 mil euros e prevê a construção de uma loja para comercialização dos trabalhos em capulana (o pano usado frequentemente pelas mulheres africanas), compra de matéria-prima para a confeção dos artigos e ações de formação, não só em técnicas de produção, mas também em técnicas de venda e de liderança, para potenciar o negócio e capacitar futuras líderes comunitárias.

Com estas ações, os missionários esperam combater as diferenças entre homens e mulheres, reforçar a autonomia financeira das formandas e assegurar novas formas de rendimento para as suas famílias.

“Queremos que este projeto ajude a população feminina de San Pedro a planear e enfrentar as realidades e as dificuldades da vida. A nossa preocupação é combater a diferença entre homens e mulheres nos índices de conhecimento e reduzir a taxa de pobreza, prostituição e manipulação das mulheres, através de sessões sobre empoderamento e organização de eventos sociais e recreativos”, explicam os religiosos.

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