Foto: Lusa

A primeira destituição tinha sido anulada, agora, a justiça brasileira voltou a determinar o afastamento de Ricardo Lopes Dias, missionário evangélico, do cargo de coordenador geral do departamento de índios isolados e de recente contacto da Fundação Nacional do Índio (FUNAI). A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA), que tem lutado desde o início contra a sua nomeação, congratula-se com a decisão.

“Os povos indígenas do Vale do Javari persistem na afirmação de que é nefasta a atuação de um missionário na CGIIRC [Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato], e esperam que essa seja uma decisão definitiva. A justiça brasileira tem de reconhecer tamanha incoerência, pois são circunstâncias completamente incompatíveis”, reagiu Beto Marubo, da UNIJAVA.

Para Leonardo Lenin, secretário executivo do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (OPI), a destituição do missionário coloca um ponto final na “afronta à autodeterminação desses povos”. “Em diversas ocasiões ficou evidente a inépcia de Ricardo Lopes na política pública para índios isolados. O exemplo disso foi a forma caótica como coordenou os trabalhos de prevenção da Covid-19 em relação aos povos indígenas isolados e de recente contato. Fica ainda mais evidente que é necessário alguém com conhecimento indigenista específico nessa área e que respeite as leis e normas que protegem os direitos desses povos”, sublinhou.

“A Survival e seus apoiantes têm pressionado as autoridades desde o dia em que Ricardo Lopes Dias foi nomeado, no início do ano. Estaremos a observar de perto para ver o que vem por aí, e continuaremos a lutar para que as terras dos povos indígenas isolados sejam protegidas e o seu direito de viver da maneira que escolherem seja respeitado, sempre. Esperamos que [Jair] Bolsonaro receba a mensagem de que, se continuar com sua agenda genocida, haverá resistência”, adiantou por sua vez a coordenadora da campanha da Survival Internacional pela proteção das terras dos povos indígenas isolados, Sarah Shenker.

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