Foto. FORCOM

Os jornalistas da Rádio Comunitária São Francisco de Assis, localizada em Muidumbe, na província moçambicana de Cabo Delgado, já estão a salvo e em zonas supostamente seguras, depois de 15 dias refugiados nas matas, devido aos ataques violentos dos grupos armados, informou o Fórum Nacional de Rádios Comunitárias (FORCOM).

A descrição que fazem da situação é dramática. Beatriz João, por exemplo, fala num cenário de horror, com corpos abandonados nas ruas e crianças sozinhas a deambular pelas matas. “A Igreja Paroquial do Sagrado Coração de Jesus [onde funcionava a rádio] está a ser usada como base dos insurgentes. Eles abandonaram o anterior local onde estavam devido ao cheiro dos cadáveres que se encontram de qualquer maneira nas ruas. A situação está descontrolada, há muitas crianças, sozinhas e perdidas nas matas”, diz a jornalista.

Segundo Hilário Tomas, outro profissional da comunicação, os rebeldes ocuparam a maioria das localidades e postos administrativos do distrito de Muidumbe, no passado dia 31 de outubro, ceifando vítimas humanas em número bastante elevado. “O terror começou às 04h30, hora local, quando começamos a ouvir tiros por perto. Os insurgentes usaram a estratégia de iniciar as ofensivas militares na zona de cima do distrito, onde se localiza a maior parte da população. Quando se aperceberam que as comunidades estavam a fugir para a zona baixa, localidade de Miangaleua, começaram a seguir e a matar quem encontrassem pelo caminho. Fugi com a minha família e ficamos escondidos nas matas por mais de 10 dias”, contou o jornalista.

“Os insurgentes capturaram inúmeras mulheres, uma delas, a minha filha, de 27 anos, que felizmente conseguiu fugir para as matas e juntar-se a nós. No local onde nos encontrávamos refugiados há dias, haviam muitos corpos em fase de decomposição”, adiantou Moisés José, outro jornalista citado pelo FORCOM.

Em comunicado, o Fórum exige que sejam criadas as condições necessárias para a garantia dos direitos humanos das comunidades nas zonas afetadas pelos ataques em Cabo Delgado, e que se criem condições para o funcionamento das rádios comunitárias para que continuem a cumprir com a sua missão de informar.

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