Sem acesso aos meios tradicionais de recrutamento, por causa das restrições impostas um pouco por todo o mundo por causa da pandemia, os traficantes de seres humanos aumentaram a sua atividade nas redes sociais e nas aplicações de conversação para angariar potenciais vítimas para exploração sexual.

O fenómeno foi denunciado esta semana pelo Comité sobre a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (CEDAW, na sigla em inglês), num documento com uma série de recomendações aos governos, estruturas jurídicas e políticas, para que sejam criados sistemas mais amplos de ajuda e proteção às eventuais vítimas, sobretudo as que estão em movimento por causa de conflitos armados e emergências.

Segundo Dalia Leinarte, líder do grupo que elaborou o documento, “a pandemia global revelou a necessidade urgente de abordar o uso de tecnologia digital no e contra o tráfico”. Neste contexto, é pedido às empresas de redes sociais que criem mecanismos de controle para mitigar o risco de expor mulheres e meninas ao tráfico e à exploração sexual, e que usem os seus dados para identificar traficantes e as partes envolvidas na procura.

Leinarte defende ainda que os Estados-membros são responsáveis por criar condições adequadas para garantir que as vítimas de sexo feminino estejam livres do perigo do tráfico, nomeadamente através de novas políticas públicas que garantam autonomia às mulheres, a igualdade de acesso à educação e oportunidades de trabalho. Outra recomendação é que seja criada uma estrutura de migração segura com perspetiva de género para proteger mulheres e meninas migrantes.

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