A falta de acesso às escolas, mercados e hospitais, permanece um desafio para muitas comunidades de Timor-Leste, sobretudo nas áreas montanhosas, como é o caso da região de Liurau. Para encurtar as distâncias, e facilitar a mobilidade, as autoridades timorenses e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) desenvolveram um projeto de limpeza das vias, com recurso à mão de obra de pessoas com deficiência, mulheres e jovens.

O programa “Estradas para o Desenvolvimento” é financiado pelo governo australiano, está a promover o emprego nas áreas rurais e a permitir a reabertura de passagens consideradas vitais para combater o isolamento das comunidades mais remotas, sobretudo entre a zona montanhosa e a capital do país.

Para Adelina Silva, uma das trabalhadoras envolvidas no projeto, esta foi a primeira vez que foi contratada e paga para trabalhar. Em conjunto com as companheiras, corta arbustos, apara ramos, repara buracos no asfalto e realiza outras ações para permitir a passagem de pessoas e veículos. Com o salário, cerca de 50 euros por mês, consegue ajudar os irmãos com os gastos escolares.

Ao mesmo tempo, este trabalho tem facilitado a vida a muitas famílias. A de Francisca Mendonça, outra das trabalhadoras, tinha que caminhar a pé por mais de duas horas para levar os produtos para o mercado, onde eram vendidos por cerca de 17 euros. Agora, com o trajeto limpo, a deslocação foi reduzida para 30 minutos em transporte público e a família consegue transportar mais mercadoria, chegando a fazer 85 euros por dia.

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