Foto: EPA / Edwin Bustamante

Habituado a investigar os negócios internacionais de armamento há mais de 20 anos, o especialista e ex-deputado sul-africano Andrew Feinstein alerta que África está cada vez mais no foco do ‘lobby’ internacional de armas. “Se olhar para os últimos 20 anos, chego à conclusão que, onde há um potencial de conflito, seja ele provocado por grupos terroristas como o Boko Haram, ou por guerras civis, como no Sudão ou no Sudão do Sul, encontramos, nessas mesmas regiões, inúmeros traficantes de armas vindos de todo o mundo”, refere o ativista à agência noticiosa DW.

Recentemente, Feistein tornou público mais um escândalo de fraude, ao denunciar um caso que ocorreu no Níger, um dos países mais pobres do mundo, e que está no meio de uma guerra contra terroristas, maioritariamente de países vizinhos. O país do Sahel comprou armas e equipamentos por cerca de mil milhões de dólares americanos entre 2011 e 2019, principalmente com dinheiro dos Estados Unidos da América (EUA), França e outros países da União Europeia (UE).

Uma investigação da associação de jornalistas Projeto de Reportagem de Crime Organizado e Corrupção (OCCRP), com a contribuição de Andrew Feinstein, mostra agora que empresários do Níger, mas também na Rússia e na Ucrânia, terão enriquecido com o negócio. Uma boa parte dos mil milhões terá ido parar aos bolsos de intermediários corruptos e não aos arsenais do exército do Níger.

De acordo com um relatório interno do governo do Níger, a que o consórcio de jornalistas teve acesso, estão identificados vários negócios fraudulentos com armas. Em 2016, por exemplo, dois helicópteros de ataque MI-171Sh foram adquiridos por uma agência de exportação estatal russa por 55 milhões de euros, quase 20 milhões de euros acima do preço normal.

“Definitivamente, há muito mais negócios corruptos de armas em África. Infelizmente, o comércio de armas em todo o mundo é incrivelmente corrupto. O comércio de armas é responsável por 40 por cento da corrupção no comércio global e, infelizmente, em muitos países africanos não se supervisionam os orçamentos de defesa. Eles não são transparentes”, afirma, por sua vez, Paul Holden, ativista e fundador da organização anti-corrupção Shadow World Investigations.

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