O voluntariado missionário marca anualmente a vida de muitas pessoas. Este ano, a atual pandemia causou constrangimentos às habituais atividades, sobretudo no estrangeiro. “Alguns [voluntários], em formação, ansiosos por partir, viram a sua data de partida adiada. Outros, no terreno, tiveram de regressar mais cedo. E outros, ainda, permaneceram em missão, alterando muitas das suas rotinas e atividades”, explica a Fundação Fé e Cooperação (FEC), organismo que divulga anualmente os dados dedicados ao voluntariado missionário.

“Uns [voluntários] partiram antes da pandemia, outros adiaram a data de partida e outros regressaram mais cedo, tendo integrado projetos em Portugal, não deixando de ser e de viver missão”, constata a FEC. Catarina António, coordenadora da ‘Rede de Voluntariado Missionário’, destaca que este ano não se pretende “apenas lançar números”. “Este ano queremos partilhar os exemplos e as vidas que se transformaram para que ninguém ficasse para trás”, refere a responsável, citada pelos serviços de comunicação da fundação.

Um desses exemplos é o dos voluntários do Centro Missionário Arquidiocesano de Braga (CMAB), que se mantiveram no terreno, em Cabo Delgado (Moçambique), local de conflitos armados. “Ora há mais angústia, medo, incerteza, não muito diferente ao de outras vidas e realidades, ora há mais confiança e esperança de alcançar o final desta estranha forma de estar, que ainda assim não retira o entusiasmo deste ser Missão”, escreveram os voluntários no terreno.

Os missionários do Voluntariado Espiritano também continuaram a apoiar a comunidade local. Para eles, a missão implica “reinventar, redefinir os espaços onde nos movemos e tentar continuar o percurso”. No terreno mantiveram-se também voluntários do Grupo Missionário Ondjoyetu e dos Leigos Missionários Combonianos.

Nos casos em que a pandemia levou ao regresso dos voluntários de missões no estrangeiro, estes dedicaram-se em Portugal a prestar apoio a pessoas sem-abrigo, a visitar centros sociais, a preparar e a enviar materiais, e a distribuir bens alimentares e cabazes a famílias desfavorecidas e afetadas pela atual crise.

“Apesar da pandemia, voluntários continuam a partir”, destaca a FEC, revelando mais detalhes sobre a atividade missionária. “Este ano, no período compreendido entre janeiro e dezembro de 2020, os voluntários das entidades da ‘Rede de voluntariado missionário’ vão partir em missões de curta e longa duração, sobretudo para Angola, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Os voluntários partem principalmente para missões nas áreas de educação e formação, pastoral, saúde, animação sociocultural, agricultura, construção de infraestruturas, dinamização e organização comunitária, empreendedorismo e empregabilidade, e capacitação de agentes locais, trabalhando com jovens, crianças, famílias, idosos, mulheres, homens, técnicos de associações, entre outros”, indica a FEC.

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