Especialistas de todo o planeta estão a recorrer a técnicas nucleares para detetar e controlar doenças como a malária, dengue e zika, revelou a Agência Internacional de Energia Atómica (Aiea). Todas estas doenças, que são difundidas por diversas espécies de mosquitos, provocam problemas a milhões de pessoas em todo o mundo e, por diversas vezes, a morte.

Além de utilizarem técnicas nucleares em testes de dengue, os cientistas também procuram formas de diminuir a população do mosquito ‘Aedes’, o vetor do vírus. “Uma opção usa radiação para tornar o inseto estéril, uma técnica conhecida como SIT. Esses animais são depois libertados na natureza, reduzindo a população”, explicam os serviços de comunicação das Nações Unidas.

De acordo com Rafael Argilés Herrero, especialista da ‘Divisão conjunta FAO e Aiea para técnicas nucleares’, a técnica “foi implementada com sucesso contra várias pragas de insetos de importância agrícola e agora está a ser adaptada para uso contra os mosquitos”. Segundo o profissional, o método “é muito específico para as espécies-alvo e não tem impacto noutros organismos vivos ou no meio ambiente”.

Já a malária, é transmitida através de um outro mosquito, designado ‘Anopheles’. A doença ameaça cerca metade da população mundial, e atualmente, técnicas nucleares estão a ser utilizadas em diversas fases do diagnóstico e tratamento da doença. “O teste de reação em cadeia da polimerase, conhecido como PCR, por exemplo, é capaz de detetar a malária quando existem níveis baixos de parasitas ou quando outras infeções estão presentes. Técnicas de imagens, como raios-X e tomografia computadorizada, também ajudam os médicos a avaliar as complicações clínicas”, adiantam os serviços de comunicação da ONU.

A técnica SIT pode ainda “reduzir a população deste tipo de mosquitos”. Libertar “insetos frágeis de maneira eficaz tem sido um dos desafios, mas em junho de 2020, os investigadores descobriram que o uso de drones para libertar machos esterilizados era mais económico, mais rápido e menos prejudicial do que outros métodos, como solo ou avião”, destacam as Nações Unidas.

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