No âmbito da campanha ‘Emergência Moçambique’, promovida pela Helpo, uma organização não governamental para o desenvolvimento (ONGD) portuguesa, “centenas de crianças e grávidas deslocadas” estão a receber “kits de sobrevivência e rastreios nutricionais”, conforme explica o organismo nacional, em comunicado.

O apoio prestado pela Helpo à população trata-se de uma “resposta à emergência no norte de Moçambique, onde são já mais de 250 mil os deslocados internos que fogem dos ataques armados na província de Cabo Delgado”. A ONGD portuguesa afirma que “esta crise humanitária já ultrapassou as fronteiras internas e, na província de Nampula, foram já acolhidas mais de 13 mil pessoas, das quais mais de metade, cerca de 53 por cento, são crianças e 27 por cento mulheres”.

De acordo com a Helpo, a Vila de Namialo tem sido “um dos principais destinos dos deslocados internos” e é também uma comunidade onde a organização portuguesa intervém desde 2008. Uma das instituições apoiadas pela ONGD na localidade é a ‘Escolinha de Micolene’, espaço onde agora se “realizou a primeira ação de rastreio nutricional e distribuição de ‘Kits de sobrevivência’ para mulheres grávidas e lactantes e crianças até aos dois anos”, que constituem “parte da população deslocada”.

Além de um rastreio nutricional e da entrega de bens como alimentos, “utensílios de cozinha, material de higiene e roupa”, aos deslocados é também realizada “uma entrevista”. O apoio prestado na ‘Escolinha de Micolene’ chegou até “257 agregados familiares deslocados, sendo que foram rastreadas nutricionalmente 84 mulheres grávidas ou lactantes e 186 crianças, das quais 96 meninas e 90 meninos”.

O auxílio a estas pessoas permite ter conhecimento da violência com que se depararam. “São trágicas as histórias que ouvimos. Muitos perderam a vida na fuga. Todos perderam as suas casas e os bens que possuíam. Resta apenas a roupa que trazem no corpo. Viram a morte de perto e o trauma ficará para toda a vida”, lamenta a equipa da Helpo, que pretende ajudar este povo a reconstruir as suas vidas. “Fica a esperança de um futuro melhor, noutro lugar, e naqueles que ganharam vida durante a fuga, como os bebés que nasceram no mato, enquanto as suas mamãs lutavam pela própria vida.”

A organização portuguesa deixa o seu agradecimento a outras entidades que também contribuíram para esta resposta na Vila de Namialo, e explica que a continuidade destas ações “está dependente da recolha de fundos que está em andamento”, motivo pelo qual apela “à solidariedade de todos para tornar isto possível e fazer a diferença na vida destas pessoas”.

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