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Um jovem professor idealizou uma forma engenhosa de levar a educação aos alunos sem acesso às tecnologias, e que estão sem aulas devido ao encerramento das escolas por causa da pandemia, na Guatemala. Lalito Ixcoy criou um triciclo e todos os dias percorre várias aldeias no norte do país para ir ao encontro dos estudantes mais desfavorecidos e isolados. As lições são dadas com máscara de proteção e com a distância recomendada pelas autoridades sanitárias.

As aulas na Guatemala foram suspensas a 16 de março, para todos os níveis de ensino, e desde então passaram a fazer-se virtualmente para a minoria que tem a possibilidade de ligar-se à internet. Segundo dados oficiais, no país apenas duas em cada 10 habitações (21,2 por cento) têm computador e só 17,2 por cento contam com internet. No departamento de Quiché, onde Lalito é professor, só há computadores em 9,3 por cento das casas e apenas 4,1 por cento têm acesso à rede digital.

“Como não havia a possibilidade de ministrar as aulas de forma presencial, e conheço os problemas socioculturais que têm os meus estudantes, cujas famílias muitas vezes não sabem ler nem escrever e carecem de recursos tecnológicos, como computadores, telefone e internet, propus-me criar um triciclo para poder ir dar as aulas às suas casas, tomando as precauções necessárias”, contou o docente ao jornal El País.

A finalizar a tese para a licenciatura em Pedagogia, Lalito tem continuado o seu trabalho como educador através desta escola móvel, e acompanhando os seus 10 alunos, como idades entre os 11 e 12 anos, em matérias como comunicação e linguagem e matemática. “Muitos pais disseram-me que os seus filhos não podiam ser as aulas virtuais porque não tinham recursos. A prioridade é a comida e se a escola ia ser pela internet, iam deixar que perdessem o ano”, adiantou o professor, que investiu 85 euros das suas poupanças na construção do triciclo educativo.

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