Iémen
Foto: EPA / Yahya Arhab

O enviado especial das Nações Unidas para o Iémen, Martin Griffiths, traçou um quadro negro para o futuro do país, caso as partes em conflito tardem em chegar um acordo para o cessar-fogo no país. “O Iémen vive um dos seus piores momentos”, afirmou o responsável perante o Conselho de Segurança da ONU, destacando a devastação económica e a falta de fundos para as agências humanitárias, a ameaça da fome que paira sobre grande parte da população e a propagação sem controlo do coronavírus.

As negociações entre o governo e o movimento houthi Ansar Allah iniciaram-se há quatro meses mas ainda não chegaram a um consenso. Se as partes não conseguirem um acordo enquanto se mantém esta janela de oportunidade para os iemenitas aliviem o seu sofrimento, Griffiths prevê um futuro desolador para o país, que entrará numa fase de mais violência, num avanço descontrolado da pandemia e numa profunda crise económica e humanitária.

“A fome está de novo no horizonte. O conflito escala novamente, a economia está em frangalhos outra vez e as agências humanitárias estão de novo à beira da bancarrota. E agora surgem problemas novos: a Covid-19 propaga-se sem controlo e temos um navio de petróleo à deriva junto à costa”, relatou, por sua vez, o coordenador da Assistência Humanitária da ONU.

Segundo Mark Lowcock, se as agências humanitárias tivessem os recursos adequados, poderiam atender as necessidades mais urgentes para evitar a fome. “Isso pouparia o sofrimento desnecessário a milhões de pessoas e ajudaria a abrir mais espaço para o processo político. O mundo tem a mesma opção que o mês passado: ajudar o Iémen agora ou ver o país afundar-se no abismo”.

Entretanto, esta quarta-feira, 29 de julho, os separatistas anunciaram que abdicam da autonomia, afirmando estarem prontos para implementar o acordo de Riade, que prevê a partilha do poder com o governo, segundo o porta-voz da fação armada.

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