Bernard Obiero - Diretor da Fátima Missionária

Temos que proteger as pessoas que nos protegeram e educaram, os nossos avós, ou os nossos pais idosos. Eles são um grupo mais vulnerável na nossa sociedade e, com a pandemia, entraram logo no famoso “grupo de risco”, e ficaram ainda mais fragilizados: pela doença e pelo isolamento.

A população mundial está a envelhecer cada vez mais, com uma crescente diminuição dos nascimentos, especialmente nos países desenvolvidos. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o envelhecimento demográfico em Portugal continuou a acentuar-se. Portanto, temos que refletir sobre isso.

O cardeal José Tolentino Mendonça, no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, fez um discurso humanista, falando sobre a necessidade de fortalecer o pacto intergeracional, e dizendo: “É um erro pensar ou representar uma geração como um peso, pois não poderíamos viver uns sem os outros”. O arquivista e bibliotecário da Santa Sé acrescentou: “a vida é um valor sem variações. Uma raiz de futuro em Portugal será, pelo contrário, aprofundar a contribuição dos seus idosos, ajudá-los a viver e a assumir-se como mediadores de vida para as novas gerações.”

Recordei-me das fábulas da minha avó, à noite, ao redor do fogo. Contava muitas narrativas, com animais personificados, alguns prudentes, outros sábios ou espertos e outros fortes, mas sem esperteza. Este tipo de contos é universal, encontramo-los na literatura de diferentes povos e culturas. Em África, as fábulas são importantes para ensinar e formar, e não só para nos divertir. São para transmitir os valores humanos, como a importância da família, a amizade, fidelidade, justiça e solidariedade. As fábulas terminam sempre com alguma lição que cada um deve aplicar na sua própria vida. Assim, “este conto ensina-nos que devemos fazer isto e aquilo, ou comportar-nos desta ou doutra maneira”. É por isso que um narrador deve ser uma pessoa com experiência de vida e com autoridade moral sobre a sociedade.

Portanto, somos quem somos porque muitos dos que são idosos hoje cuidaram de nós e foram pilares das nossas vidas. Como disse o Papa Francisco: “onde não há cuidado com os idosos, não há futuro para os jovens”.

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