O mais recente Relatório Global de Crises Alimentares, elaborado em conjunto pelo Programa Alimentar Mundial (PAM) e Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), estima que este ano duplique o número de pessoas em situação de insegurança alimentar, por causa da pandemia, passando de 135 milhões para 265 milhões.

A escala de insegurança alimentar está dividida em cinco fases: mínima, stress, crise, emergência e fome. O ano passado, comparando com 2018, mais de cinco milhões de pessoas estavam nas últimas três fases. A maioria vivia em países afetados por conflitos, cerca de 77 milhões. As mudanças climáticas eram responsáveis pela situação de 34 milhões de pessoas e as crises económicas por 24 milhões.

As piores crises verificam-se no Iémen, República Democrática do Congo, Afeganistão, Venezuela, Etiópia, Sudão do Sul, Síria, Sudão, Nigéria e Haiti. Mas na lista de 35 países onde a situação é mais grave figuram também Angola e Moçambique. Destes dois países lusófonos, Moçambique é o que vive a situação mais preocupante, com 1,7 milhões de pessoas nas últimas três fases de insegurança alimentar, cerca de 1,4 milhões em situação de crise e 265 mil em emergência.

Em Angola, a crise alimentar aumentou devido à seca nas províncias do sul e o afluxo de refugiados da República Democrática do Congo. Em 2019, cerca de 272 mil angolanos viviam em situação de crise e 290 mil em emergência. Mais de oito por cento das crianças com menos de cinco anos sofriam de desnutrição grave e perto de 30 por cento tinha problemas de crescimento.

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