Vitor Rodrigues - Presidente da Liga Portuguesa Contra o Cancro

O cancro é cada vez mais um relevante problema de saúde pública. Só em 2018, estima-se que em Portugal tenham sido diagnosticados cerca de 58.000 novos casos de cancro e ocorrido cerca de 29.000 mortes (GLOBOCAN, 2019).

Todavia, fruto de uma maior consciencialização para a doença, do diagnóstico cada vez mais precoce e de novas e mais eficazes terapêuticas para o seu tratamento, assistimos ao surgimento de uma nova população – os sobreviventes de cancro – com problemas clínicos e sociais particulares e que a sociedade – todos nós – terá de enfrentar.

O envolvimento e articulação de esforços entre profissionais de saúde, cuidadores informais, sociedade civil, sobretudo aqueles que atuam no papel de voluntários – indivíduos que de forma livre e espontânea realizam um trabalho gerado pelo impulso solidário, mas devidamente regulamentado e acompanhado por uma Instituição promotora – é fundamental para amenizar o sofrimento do doente e melhorar a sua qualidade de vida.

Baseado nos princípios da humanização e da solidariedade, o voluntariado está na génese da missão da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) e nele assenta grande parte da efetividade da sua ação. É um compromisso sério e responsável, com exigências éticas, onde se incluem a gratuitidade da sua ação e a natural convergência com os valores e princípios da instituição.

O voluntariado na LPCC é concretizado em diversas vertentes de atuação, que vão desde o hospitalar ao comunitário, passando pelos movimentos de entreajuda e pelo voluntariado de competências.

No contexto hospitalar, o voluntariado cumpre a missão de acolher o doente, proporcionando-lhe apoio emocional e prático em ambulatório e em internamento, essenciais à humanização da assistência ao doente e à promoção de uma atitude positiva face ao cancro. Na comunidade, o papel dos voluntários passa pela sensibilização da população para a prevenção primária e secundária do cancro, referenciação de doentes com carências socioeconómicas e angariação de fundos. Nos movimentos de entreajuda, todos os voluntários, no papel de sobreviventes de cancro, oferecem o seu testemunho de esperança, dando o exemplo de que “é possível vencer o cancro”, todos os dias. No voluntariado de competências, são voluntários os profissionais que oferecem um contributo técnico e todos aqueles que partilham as suas habilidades no âmbito de atividades ocupacionais, com vista à redução do isolamento e à promoção da autoestima de doentes e cuidadores.

A prática do voluntariado beneficia o doente e o seu cuidador e, simultaneamente, o voluntário, pela experiência enriquecedora e de valorização pessoal que proporciona.

 

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