«Se Deus coloca em ti a dúvida, algo tem a dizer-te. Há que fazer um trabalho sério de discernimento, mas depois deste há sempre uma dúvida que fica»
«Se Deus coloca em ti a dúvida, algo tem a dizer-te. Há que fazer um trabalho sério de discernimento, mas depois deste há sempre uma dúvida que fica»Sílvia Moreira, 42 anos, natural do Porto, abraçou a vida religiosa depois de participar como voluntária num campo de férias com pessoas com doença mental. Hoje, é superiora em angola da comunidade das Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus e sente-se feliz por ter arriscadoQue tipo de trabalho está a desenvolver em angola? Estou em angola desde 2008, a prestar serviço a pessoas com doença mental, através da aproximação às comunidades e aos doentes no seu contexto. Desenvolvemos consulta de enfermagem psiquiátrica em quatro localidades, fazemos serviço de voluntariado no Hospital Psiquiátrico local com alguns jovens, proporcionando-lhes atividades na área da terapia ocupacional, e promovemos ações de formação no sentido de desmistificar a doença mental e a epilepsia, muitas vezes entendidas como consequência de feitiços e possessão. Este facto leva a que com alguma frequência os doentes sejam abandonados e marginalizados pelos familiares. Que dificuldades tem enfrentado para levar por diante a sua missão? a primeira dificuldade é sempre a adaptação é como aprender a viver de novo. O sentido das palavras que muitas vezes é diferente, o modo de saudação, de comer, de pensar, a exigência de perguntar, mesmo quando nos parece que compreendemos. Por vezes a dificuldade é o encontro entre culturas, mas depois de conseguir esse encontro é muito belo o espírito de comunhão que se cria. Em que momento da sua vida percebeu que queria seguir a vida religiosa?Nunca tinha pensado em ser religiosa. Um dia vi o anúncio de uma atividade da minha congregação denominada Campo de Férias Hospitaleiro. Decidi ir por curiosidade e sobretudo para me pôr à prova. Isto porque o período durante o qual se desenvolvia a atividade implicava o serviço a pessoas com doença mental.com estas eu nunca tinha tido contacto e, confesso, temia-o. Esta experiência foi como um nascer de novo, a ponto de, ao terminar a atividade, achar que Deus me chamava para ali, possibilidade que eu temia porque nunca me tinha ocorrido ser religiosa. Por isso, decidi fazer um trabalho sério de discernimento vocacional que me confirmou a arriscar fazer a experiência, ainda que com receio e hoje, aqui estou! Que conselho daria a uma jovem em dúvida vocacional?arriscar. Não há nada melhor! Se Deus coloca em ti a dúvida, algo tem a dizer-te. Há que fazer um trabalho sério de discernimento, mas depois deste há sempre uma dúvida que fica. Perante ela e para a desfazer o melhor a fazer é arriscar, ver, viver, sentir, aprender e, sobretudo, acreditar que o Deus que te chama é também aquele que te conduz e caminha contigo!