Organização de defesa dos direitos dos agricultores contesta a concessão de terrenos a empresas multinacionais que exportam os produtos para a Ásia e Europa, quando 42 por cento das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutrição
Organização de defesa dos direitos dos agricultores contesta a concessão de terrenos a empresas multinacionais que exportam os produtos para a Ásia e Europa, quando 42 por cento das crianças menores de cinco anos sofrem de desnutriçãoUm estudo elaborado pela União Nacional de Camponeses (UNaC), uma organização de defesa dos direitos dos agricultores moçambicanos, concluiu que desde 2006 até agora Moçambique se fizeram pelo menos 35 negócios com investidores estrangeiros para a produção de cultivos alimentares, numa área de mais de 500 mil hectares. Segundo a UNaC, muitos desses negócios dizem respeito a terras no Corredor de Nacala, no norte de Moçambique, onde o governo e as empresas estrangeiras desenvolvem infraestruturas de transporte e agricultura para exportação, sobretudo de soja e milho. apesar das promessas de desenvolvimento, a verdade é que já estão a expulsar as famílias das suas terras para dar lugar ao agronegócio. as empresas estrangeiras, os empresários locais e os políticos participam numa conspiração para retirar as terras às comunidades de camponeses, violando as leis fundiárias que existem para defender os direitos dos agricultores de pequena escala, refere Vicente adriano, investigador do sindicato nacional de camponeses de Moçambique. No documento, elaborado em conjunto com a organização internacional GRaIN, são ainda denunciadas suspeitas de que várias empresas dúbias registadas em paraísos fiscais e offshores com ligações estreitas às elites políticas moçambicanas estão a usurpar terras no Corredor de Nacala e a fazer fortuna ao estilo da época colonial de Moçambique. Isto, quando, em Moçambique, 42 por cento das crianças com menos de cinco anos sofrem de desnutrição, segundo dados do Programa alimentar Mundial.