No seu mais recente relatório, a amnistia Internacional afirma que a Grécia, através de medidas ilegais, está a impedir a entrada de refugiados e migrantes na Europa e reclama a responsabilização da União Europeia
No seu mais recente relatório, a amnistia Internacional afirma que a Grécia, através de medidas ilegais, está a impedir a entrada de refugiados e migrantes na Europa e reclama a responsabilização da União EuropeiaRefugiados e migrantes oriundos de países em conflito, como a Síria e o afeganistão, estão a ser impossibilitados de entrar na Europa através de medidas ilegais, impostas pela Grécia, afirma o mais recente relatório da amnistia Internacional, intitulado, Frontier Europe: human rights abuses on Greece’s border with Turkey. a travessia do mar Egeu, em barcos de condições precárias, provocou a morte por afogamento a mais de 100 pessoas desde agosto de 2012, incluindo mulheres e crianças. Os testemunhos recolhidos mencionam que, muitas vezes, os guardas fronteiriços danificam ou deixam à deriva essas embarcações.
Os que conseguem entrar na Grécia são, por vezes, detidos em condições desumanas, com acesso limitado a alimentação ou a condições sanitárias, e existem ainda testemunhos que dão conta de maus-tratos. Tudo isto antes destas pessoas serem reenviadas para a Turquia sem terem possibilidade de pedir asilo. Devido a tal situação, a amnistia Internacional (aI) está a pedir às autoridades gregas que não reencaminhem refugiados e migrantes para a Turquia, país que só concede estatuto de refugiado a indivíduos originários de países membros do Conselho da Europa.
Em comunicado, a organização que defende os direitos humanos, afirma que devem existir alternativas às detenções e destaca que todos os que forem intercetados nas fronteiras gregas devem ter os pedidos de asilo considerados de forma justa e imparcial. além disso, a aI considera que a União Europeia também deve ser responsabilizada, apoiando as autoridades gregas na melhoria dos seus serviços de fronteiras e procurando formas de criar uma responsabilidade partilhada relativamente aos refugiados e migrantes.
É óbvia a prerrogativa da Grécia em controlar as suas fronteiras, mas não em detrimento dos direitos humanos daqueles que procuram uma vida melhor na Europa, sublinha Jezerca Tigani, diretora-adjunta da aI para a Europa e Ásia Central. Outros estados-membros da União Europeia parecem demasiado satisfeitos por a Grécia estar a funcionar como porteiro, controlando as portas’ da Europa. Mas as políticas e práticas aplicadas nas fronteiras gregas expõem a hipocrisia dos países europeus, que apelam à paz no exterior enquanto negam o direito de asilo e colocam vidas em risco no seu próprio território, alerta esta responsável.