O mundo mudou e a forma de encarar o cristianismo também, sobretudo na Europa. Para que o testemunho da fé volte a ganhar a dimensão, o padre José Frazão considera que é preciso atualizar a forma de proclamar o Evangelho
O mundo mudou e a forma de encarar o cristianismo também, sobretudo na Europa. Para que o testemunho da fé volte a ganhar a dimensão, o padre José Frazão considera que é preciso atualizar a forma de proclamar o EvangelhoÉ o hoje o tempo favorável. O título escolhido pelo padre José Frazão para a comunicação que fez este sábado, 6 de julho, aos participantes na terceira sessão das Conversas Contemporâneas da Consolata, em Fátima, encerra múltiplas questões, desafios, mas também alguns caminhos de reflexão. Partindo do exemplo do despojamento dos missionários, da benevolência que manifestam ao procurar as diferenças sociais e culturais, da riqueza do deixar e partir, muitas vezes sem preocupação em voltar, o padre jesuíta, doutorado em Teologia Fundamental, defendeu a necessidade de se resgatar esta entrega, de se favorecer o encontro genuíno com Jesus. a realidade social mudou e, no entender de José Frazão, a atitude apostólica também precisa de mudar. Há hoje uma dificuldade na transmissão da fé e o cristianismo como realidade determinante nos vários setores da sociedade já não existe. E como tem a Igreja, de uma forma geral, reagido a isto? De duas maneiras: indo para a praça pública aclamar Jesus como se fosse uma relíquia do passado ou, numa versão mais moderna, usando técnicas de marketing mais ou menos desengonçadas, numa espécie de tentativa de vender a fé como se fosse um sabonete que garante a juventude eterna. Ninguém pode testemunhar a fé sem fazer um reconhecimento da Graça e ninguém pode testemunhar o Senhor sem ter uma experiência da Graça, sublinhou o sacerdote, insistindo que este é o tempo para operar as mudanças. Vivemos atualmente uma experiência coletiva de perda, de pobreza, e a Graça da pobreza acolhida como um dom, dar-nos-á mais autoridade profética, mais criatividade evangélica. Para José Frazão, o fundamental é que o Evangelho seja transmitido com atualidade. Se o Evangelho quer ser a Boa Nova, tem que ser a Boa Nova para as pessoas de hoje, afirmou, exemplificando com a teoria do padre antónio Vieira, acerca da frutificação espiritual. Se os frutos não aparecem, o problema nem é da terra, nem da semente, mas do semeador.