a finalidade do documento «Lumen Fidei» é recuperar o carácter de luz que é especí­fico da fé, capaz de iluminar toda a existência humana

a finalidade do documento «Lumen Fidei» é recuperar o carácter de luz que é especí­fico da fé, capaz de iluminar toda a existência humana

Foi apresentada esta sexta-feira, dia 5 de Julho, no Vaticano, a primeira encíclica do Papa Francisco, intitulada Lumen Fidei’ ( a luz da Fé), encerrando assim a trilogia iniciada em 2006 por Bento XVI sobre as virtudes teologias da caridade, da esperança e da fé. Dirigida, como habitualmente, aos bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e religiosas e a todos os fiéis leigos, a encíclica tinha sido redigida, quase na totalidade por Bento XVI. À sua primeira versão, o atual Pontífice acrescentou ulteriores contribuições.com este documento deseja-se recuperar o carácter de luz que é específico da fé, capaz de iluminar toda a existência humana, diz a Rádio Vaticana na sua síntese da Encíclica. É este o coração da Lumen Fidei: Quem acredita nunca está sozinho, porque a fé é um bem comum que ajuda a edificar as nossas sociedades, dando esperança. Na época moderna – escreve o Papa – em que o acreditar se opõe ao pesquisar e a fé é vista como um salto no vazio que impede a liberdade do homem, é importante ter fé e confiar, com humildade e coragem, no amor misericordioso de Deus, que endireita as distorções da nossa história. a Encíclica apresenta Jesus como a testemunha fiável da fé. É através de Jesus que Deus atua realmente na história.como na vida de cada dia confiamos no arquiteto, no farmacêutico, no advogado, que conhecem as coisas melhor do que nós, assim também para a fé confiamos em Jesus, um especialista nas coisas de Deus. a fé ilumina a fé sem a verdade não salva, é apenas um bonito conto de fadas, diz o Santo Padre. Sobretudo, hoje, em que se vive uma crise da verdade, porque se acredita apenas na tecnologia ou nas verdades do indivíduo, porque se teme o fanatismo e se prefere o relativismo. afirma-se claramente no documento que a fé não é intransigente, o crente não é arrogante: a verdade que vem do amor de Deus não se impõe pela violência, não esmaga o indivíduo e torna possível o diálogo entre fé e razão. Neste contexto da fé, é essencial a evangelização: a luz de Jesus brilha no rosto dos cristãos e se transmite de geração em geração, através das testemunhas da fé. Mas de uma maneira especial, a fé transmite-se através dos sacramentos, como o Batismo e a Eucaristia, através da profissão de fé expressa no Credo e na oração do Pai Nosso, que envolvem o crente nas verdades que confessa e o fazem ver com os olhos de Cristo. além disso, há uma forte ligação entre o acreditar e o construir o bem comum: a fé torna fortes os laços entre os homens e coloca-se ao serviço da justiça, do direito e da paz. Essa não nos afasta do mundo, muito pelo contrário: se a tirarmos das nossas cidades, ficamos unidos apenas por medo ou por interesse. a fé, pelo contrário, ilumina a família fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher; ilumina o mundo dos jovens que desejam uma vida grande, dá luz à natureza e ajuda a respeitá-la. Mesmo o sofrimento e a morte recebem um sentido na confiança em Deus, diz o Pontífice. Embora a pessoa não consiga explicar tudo pelo raciocínio, todavia sente a presença de alguém que a acompanha. Não deixemos que nos roubem a esperança, não deixemos que ela seja frustrada com soluções e propostas imediatas que nos bloqueiam o caminho para Deus, pede o Papa Francisco num apelo final e numa súplica a Maria ícone da fé para que, nas coisas da fé, nos conceda o olhar de Jesus.