a afirmação de que a palavra responsabilidade não fazia parte do dicionário de Portugal é de um reputado economista internacional. a pergunta que faço é simples: os responsáveis políticos europeus conhecem a palavra responsabilidade?
a afirmação de que a palavra responsabilidade não fazia parte do dicionário de Portugal é de um reputado economista internacional. a pergunta que faço é simples: os responsáveis políticos europeus conhecem a palavra responsabilidade?Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia (CE), afirmou anteontem que a responsabilidade pela resolução dos problemas sociais, nomeadamente o desemprego, cabe aos Estados-Membros, estando reservado à União Europeia (UE) uma ação complementar. O tema foi levantado pelos jornalistas presentes no Conselho Europeu a 27, em Bruxelas, a propósito da decisão da UE em alocar seis mil milhões de euros do próximo orçamento comunitário (concentrado em 2014 e 2015) para combater o desemprego jovem. Para o presidente da CE “não se deve pedir ao nível europeu aquilo que o nível europeu não tem meios para dar”, acentuando que as políticas sociais, de emprego, educação e a legislação laboral são “responsabilidade dos países” e que aquilo que se pode fazer ao nível da União é “encontrar alguns instrumentos complementares”. Salvo opinião contrária, que respeito, não me parece razoável esta posição da União Europeia, e inclusive vai contra os fundamentos sociais que os pais da Europa quiseram incutir-lhe, senão vejamos. a União Europeia foi chamando a si, ao longo dos anos, as mais variadas competências que vão desde o aspeto económico ao legislativo, no sentido de impor políticas de desenvolvimento dos países aderentes. Foi assim que cada um dos países, à medida que iam aderindo, foram recebendo fundos para preparar as suas economias para o embate no mercado único e deste com o exterior, mas a UE impôs regras e condições para a sua utilização. Desta forma assumiu responsabilidades quando não foram devidamente aplicados, pois deveria ter fiscalizado se eram cumpridos os requisitos. Dir-me-ão: mas os países é que decidem a melhor forma da sua aplicação. Seria correto se não estivéssemos em espaço comum, com moeda comum e políticas definidas pelos responsáveis europeus, daí derivam as suas obrigações de não permitir o uso indevido. Mas o que aconteceu? Quem definiu as áreas de desenvolvimento económico foi a própria União Europeia. acaso esquecem quando a UE apoiava, no aspeto agrícola, por exemplo, o abate de vinhas e o plantio de outros tipos de árvores; quando, nas pescas, obrigava ao abate de navios de pesca; quando impunha quotas de espécies nas pescas e agricultura, como bovinos, caprinos e outros? Estamos a falar de políticas e desenvolvimento económico, agora a Europa não tem responsabilidades? Isso não é verdade! a União Europeia e os burocratas que a dominam detêm a fatia do poder mais importante, embora não passem disso mesmo, empregados da UE, mas colocados em nome dos países de que fazem parte. a soberania de cada país é cada vez mais limitada, tanto no aspeto económico, como político, e quem comanda estes organismos internacionais acha que não é responsável pelas suas políticas económicas, como?No caso português, a denominada troica, que emprestou a Portugal 78 mil milhões de euros, é que impõe as políticas económicas a seguir, o modelo, digamos assim. agora há quem diga que o modelo escolhido para Portugal não terá sido o mais adequado, foi o FMI que o admitiu em relação à Grécia, cujo tipo é idêntico. Lembro que estamos a falar sobre desemprego, o maior de sempre na Europa, e que no entender do agora presidente Durão Barroso, cabe aos países solucionar esse problema, quando afinal este foi originado pelas duas partes, pela CEE e pelos países aderentes.como é evidente quem permitiu que falissem empresas e estas fossem obrigadas a despedir e com isso criar o desemprego foi cada um dos países que não foram capazes de contornar as diretivas de Bruxelas, mas isso não alivia a culpa dos organismos europeus. É caso para repetir a pergunta: os dirigentes sabem o que é a palavra responsabilidade e assumem-na?Temos sérias reservas quanto a isso, pois as evidências do contrário são óbvias.