Terminado o período em que Jesus percorreu as terras da Galileia, onde obteve um relativo sucesso, apesar de alguma oposição, o episódio narrado no Evangelho deste domingo marca a passagem para outro destino
Terminado o período em que Jesus percorreu as terras da Galileia, onde obteve um relativo sucesso, apesar de alguma oposição, o episódio narrado no Evangelho deste domingo marca a passagem para outro destinoO evangelista anota que Jesus tomou a firme decisão de rumar a Jerusalém. a partir de agora, todo o percurso deve ser entendido nesta caminhada que tem como objetivo chegar a Jerusalém. No entanto, o percurso não será geográfico, mas sim teológico; será uma catequese que Jesus oferece aos seus discípulos que o acompanharam até à cidade santa. O episódio narrado apresenta duas partes distintas. a primeira parte anota a inimizade entre Judeus e Samaritanos. No fundo, trata-se de uma catequese sobre a oposição que anunciadores do reino irão sofrer.como responder a esta oposição? João e Tiago conhecem apenas um modo para resolver a situação: mostrar os próprios músculos, mostrar que são mais fortes do que aqueles que os ameaçam. Jesus, porém, não está interessado numa resposta musculada, mas ao contrário, repreende os discípulos. Impor a força sobre o próximo nunca poderá ser a resposta que um discípulo de Jesus pode assumir. a tentação de eliminar quem está contra nós, contra o nosso modo de ver e pensar, é sempre muito grande, mas é necessário recordar o gesto de Jesus: voltou-se e repreendeu-os. Ou seja, a resposta não é eliminar o próximo. Já na segunda parte são apresentadas as exigências para seguir o caminho de Jesus rumo a Jerusalém. Estas exigências são apresentadas nos diálogos com os três candidatos. Do primeiro diálogo chega-se à conclusão, que ao discípulo é exigido libertar-se de todas as preocupações materiais. as coisas impedem que o discípulo possa caminhar livremente. Todos sabemos que viajar com muitas malas não é uma experiência agradável. Para caminhar velozmente é necessário estar ligeiro. No segundo diálogo revela-se que o discípulo deve deixar de lado coisas fundamentais, como é o sepultar os pais, que a lei de Moisés exigia, mas que o discípulo deve ser capaz de colocar em segundo plano. Finalmente o último diálogo aponta para a necessidade de ser capaz de se desapegar até da própria família. Considerando os três diálogos, dá para entender que Jesus exige muito dos seus discípulos. É preciso colocar tudo em segundo plano, de modo que nada possa servir de empecilho a uma total disponibilidade para o serviço do Reino. É claro que o discurso pode parecer demasiado radical, mas o que importa é saber que Jesus deve ocupar o primeiro lugar. O resto é empecilho que pode fazer com que o caminho rumo a Jerusalém se torne lento e pesado.