O número de crimes contra as comunidades Índias do Brasil, em 2012, registou um aumento, que em alguns casos ultrapassou os 200 por cento. a disputa pela terra está no centro de grande parte das agressões
O número de crimes contra as comunidades Índias do Brasil, em 2012, registou um aumento, que em alguns casos ultrapassou os 200 por cento. a disputa pela terra está no centro de grande parte das agressões ameaças de morte, assassinatos, morosidade na regularização das terras e falta de assistência médica e educativa. Estes são apenas alguns dos crimes contra as comunidades indígenas do Brasil que registaram um crescimento em 2012, de acordo com um relatório apresentado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI). Em termos gerais, verificou-se um aumento quer no número de casos, quer no número de vítimas. O crescimento mais acentuado foi observado na categoria Violência contra a Pessoa, onde estão incluídas as ameaças de morte, homicídios, tentativas de assassinato, racismo, lesões corporais e violência sexual. Em relação a 2011, houve um aumento de 378 para 1. 276 vítimas, o que ultrapassa os 200 por cento. Também o número de indígenas assassinados passou de 51 para 60, em todo o Brasil. O Mato Grosso do Sul continua a ser o estado com o maior número de ocorrências, seguido pelo Maranhão, com sete vítimas. Nos últimos dez anos, os levantamentos do CIMI mostram que pelo menos 563 indígenas foram assassinados no país, sendo que 317 destas mortes ocorreram no Mato Grosso do Sul. Muitos dos casos estarão relacionados com a falta de terra. De acordo com o relatório, das 1. 045 terras indígenas, 339 estão sem providência, enquanto 293 continuam em estudo. Destas, 44 aguardam apenas a assinatura da Presidente da República. a vida dos povos indígenas está vinculada à terra. É na sua terra ancestral que ‘o índio é’O governo federal tem que, urgentemente, saldar esta dívida histórica com os povos indígenas. Este é o único modo de propiciar as condições fundamentais para a sobrevivência física e cultural desses povos, afirmou Cleber Buzatto, secretário executivo da organização, dependente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.