a Maloca continua com ilustres convidados. Este mês entrevistámos o bispo do recém-criado Viacariato de Puerto Leguí­zamo-Solano, na Colômbia. Joaquin Pinzón já é conhecido como o novo rosto da amazónia
a Maloca continua com ilustres convidados. Este mês entrevistámos o bispo do recém-criado Viacariato de Puerto Leguí­zamo-Solano, na Colômbia. Joaquin Pinzón já é conhecido como o novo rosto da amazóniaPinzón é missionário da Consolata e foi ordenado sacerdote em 1999. Depois de uma experiência em Moçambique, foi enviado para a Colômbia, onde trabalhou em Puerto Leguízamo, antes de assumir funções como reitor no seminário teológico de Bogotá. Em 2011 foi eleito Superior Regional do Instituto Missionário da Consolata na província Colômbia-Equador, cargo que exerceu até fevereiro último, data da nomeação episcopal.com 44 anos, aceitou o desafio com a humildade e alegria que o caracterizam. É um homem de convicções, com uma fé contagiante e um pastor que já sente o cheiro das suas novas ovelhas. Fátima Missionária É o sexto missionário da Consolata nomeado bispo na Colômbia.como se sentiu ao aceitar este ministério, tendo em conta toda a história que o precede? Joaquin Pinzón É um sentimento de desafio. Porque, fazendo memória aos cinco missionários da Consolata que foram chamados ao episcopado e a acompanhar a missão neste território, todos souberam responder com generosidade, alegria, entrega e decisão. O nível que eles deixaram é bastante elevado e vai exigir respostas com grande fidelidade. Essa herança deve continuar a crescer para que a evangelização siga o seu curso. FM Quais os principais legados deixados por esse passado tão significativo para a região? JP Nós, missionários da Consolata, temos um método muito próprio, deixado pelo beato José allamano, que é a evangelização e a promoção humana. E este método esteve bem presente com os cinco primeiros bispos que acompanharam estas terras. Todos foram muito sensíveis ao facto de promover uma evangelização muito vinculada com a promoção humana. Se formos coerentes a seguir esse método e essa pedagogia, então são muitos os legados que devem continuar. FM À entrada de Puerto Leguízamo encontra-se um cartaz com a seguinte descrição: Jardim Exótico do Universo. O que é que mais o atrai neste jardim? JP a geografia, a sua gente, a riqueza cultural tão diversa. Puerto Leguízamo tem uma base indígena bastante forte, mas também encontramos uma grande presença de colonos e de pessoas oriundas de diferentes partes do país. Solano é outro grande município do Caquetá, com caraterísticas muito diferentes. a população é composta essencialmente por colonos. São pessoas muito acolhedoras também, e muito empreendedoras. Enfim, o que mais me atrai é sem dúvida o povo que conquista o coração das pessoas, como fez com o meu. FM O novo vicariato tem uma extensão de 58 mil quilómetros quadrados, o que equivale a mais de metade do território de Portugal.como pensa chegar a todas as comunidades? JP as comunidades estão dispersas e torna-se um grande desafio conseguir chegar a todas. Existem algumas que, para além da distância, têm poucos habitantes, mas que também fazem parte do vicariato, e a nossa missão é oferecer a todos o mesmo acompanhamento e proximidade. Essa é basicamente a razão de ser desta nova jurisdição, oferecer a todas as comunidades, sem exceção, uma melhor e maior atenção. FM Este território é rico em diversidade cultural, mas também religiosa. Existem diferentes denominações religiosas que nem sempre caminham em comunhão. O que pretende fazer? JP É importante fortalecer a formação dos fiéis católicos para que os fundamentos da fé sejam cada vez mais fortes e para que não vacilem quando aparecer outra proposta. Um segundo aspeto, também importante, é o estabelecimento de boas relações com as dez denominações religiosas existentes em todo o vicariato, criando uma relação cordial e de diálogo. FM O conflito armado está ainda muito presente no território. a Igreja pode ajudar num processo de paz e de reconciliação? JP Nós, como Igreja, somos chamados a dar um contributo muito grande nesta questão. Em primeiro lugar devemos acompanhar as comunidades vítimas destes conflitos. É muito importante não as abandonar e assegurar que sentem a presença da Igreja. Outro aspeto prende-se com a disponibilidade para a mediação e para a abertura de espaços de diálogo e de superação do conflito. Torna-se ainda fundamental ir ajudando a mudar a mentalidade do conflito e da violência, ir desarmando as pessoas não só das armas, mas de tantas situações que vão entrando nos seus corações, como fruto da guerra, e que fazem com que vivam rodeadas de amargura. FM Já passaram dois meses desde que foi ordenado bispo. Tem passado por situações inesperadas? JP Sim e estou a lembrar-me de uma em particular. Em Puerto Leguízamo vivemos num contexto militar, onde o tema das promoções ou subida de escalão na carreira faz parte do dia a dia das pessoas. Para ser promovido, o militar deve estudar e pagar. Recentemente uma família amiga veio visitar-me e, com muita simplicidade e humildade, perguntou-me: Já o conhecíamos como padre, mas agora que é bispo queríamos perguntar quanto pagou pelo curso para ser bispo? E quanto tempo teve de estudar? Eu sorri e respondi que não tive de pagar, nem tive de fazer algum curso especial. Ficaram todos surpreendidos e não queriam acreditar que sem curso e sem pagar, tivesse sido nomeado bispo e tivesse subido na carreira. Foi realmente um momento engraçado. FM ainda não esteve com o Papa Francisco. Já pensou no que gostaria de lhe dizer? JP Quando tiver oportunidade de encontrá-lo quero, em primeiro lugar, agradecer esse ar de novidade que está invadir a Igreja. Depois, dizer-lhe que me sinto verdadeiramente feliz por ter sido nomeado ao serviço desta Igreja, situada na periferia da Colômbia, tanto a nível geográfico como existencial.