a crise atual não pode ser desculpa para descuidar o respeito da pessoa e da sua dignidade, disse o Papa Francisco aos participantes na Conferência da FaO
a crise atual não pode ser desculpa para descuidar o respeito da pessoa e da sua dignidade, disse o Papa Francisco aos participantes na Conferência da FaOÉ bem sabido que a produção atual é suficiente e, no entanto, há milhões de pessoas que sofrem e morrem de fome: isto constitui um verdadeiro escândalo, advertiu o Papa Francisco, recebendo nesta quinta-feira, dia 20, no Vaticano, os participantes na 38a sessão anual da FaO, o organismo das Nações Unidas para a alimentação e a agricultura. a pessoa e a dignidade humana não podem continuar a ser tratadas como uma abstracção. Por isso, é urgente contrastar os interesses económicos míopes e a lógica de poder de uns poucos, que excluem a maioria da população mundial. a pessoa e a dignidade humana – sublinhou o Santo Padre – correm o risco de se converterem numa abstracção, perante questões como o uso da força, a guerra, a desnutrição, a marginalização, a violação das liberdades fundamentais ou a especulação financeira, que neste momento condiciona o preço dos alimentos, tratando-os como uma mercadoria qualquer e esquecendo o seu destino primário. Há que colocar a pessoa humana e a dignidade humana como os pilares sobre os quais se devem construir regras partilhadas e estruturas que sejam capazes de eliminar as divisões e colmatar as diferenças existentes na sociedade, advertiu o Papa. Todos são responsáveis e a todos se pede uma abertura do coração, para superar o desinteresse e poder prestar atenção, com urgência, às necessidades imediatas, confiando ao mesmo tempo que amadureçam no futuro os resultados da acção de hoje. Neste Dia Mundial do Refugiado, o Papa referiu-se também à situação da erradicação do seu próprio ambiente de pessoas, famílias e comunidades, por causa das graves crises alimentares, desastres naturais ou por conflitos sangrento. Definiu esta erradicação como uma dolorosa separação que não se limita à terra natal, mas que se estende também ao âmbito existencial e espiritual, ameaçando e por vezes destruindo as poucas certezas que tinham. Este processo, que já se tornou global, requer que as relações internacionais restabeleçam esta referência aos princípios éticos que as regulam e redescubram o autêntico espírito de solidariedade.