Vários casos de racismo e intolerância envolvendo alunos indígenas foram detetados durante uma visita técnica às comunidades do Estado do Paraná, no Brasil. a inspeção foi conduzida por dois procuradores do Ministério Público
Vários casos de racismo e intolerância envolvendo alunos indígenas foram detetados durante uma visita técnica às comunidades do Estado do Paraná, no Brasil. a inspeção foi conduzida por dois procuradores do Ministério Público Falta de condições mínimas de higiene, inexistência de água potável e muita discriminação. Os cerca de 1. 800 indígenas que habitam nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, no Paraná, Brasil, enfrentam graves problemas de salubridade e integração social e os seus direitos nem sempre são respeitados, ao ponto dos alunos índios serem impedidos de comer a merenda na escola, como forma de castigo por serem indígenas. O diagnóstico foi feito por dois procuradores do Ministério Público Federal, que depois de uma visita técnica a várias comunidades, instauraram diversos processos administrativos e criminais, para acautelar da defesa da Dignidade da Pessoa Humana. O resultado da investigação, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (CIMI), revela várias situações de desrespeito pelas condições de vida dos indígenas, seja por falta de abastecimento de água potável, seja por falta de condições para assegurar o acesso à educação na língua materna. Das 13 comunidades visitadas, só uma tinha uma escola para aprendizagem no idioma local, mas com condições mínimas. Fora isso, a relação entre índios e não índios na rede pública é habitualmente hostil. Os procuradores ouviram relatos de agressões psicológicas, em que os colegas de turma acusam os indígenas de quererem tomar a cidade, e de castigos aplicados pelos professores, que impedem o acesso dos índios à merenda. Nas redes sociais, nos jornais e nos sites da internet foram detetados movimentos de repúdio à presença dos índios na região, sobretudo por estes estarem a lutar pela demarcação das suas terras. O clima de animosidade, associado à falta de condições de vida, está a provocar resultados desastrosos no povo guarani, segundo os representantes do Ministério Público.