Mostra-nos o Evangelho que muitos fariseus não gostavam nada da atitude de Jesus de conversar e comer com pecadores públicos. Por isso, parece estranho que, no Evangelho deste domingo, um fariseu convide Jesus a almoçar em casa dele com outros convidados
Mostra-nos o Evangelho que muitos fariseus não gostavam nada da atitude de Jesus de conversar e comer com pecadores públicos. Por isso, parece estranho que, no Evangelho deste domingo, um fariseu convide Jesus a almoçar em casa dele com outros convidados a razão porque este fariseu, de nome Simão, convidou Jesus, não nos é dita pelo evangelista: talvez para conhecer Jesus melhor, ou para criticar alguma atitude de Jesus menos própria na linha do farisaismo. E depois, de repente, surge o problema. Durante o almoço, sabia Deus porquê, chega aos pés de Jesus uma pecadora pública, quase certamente meretriz de qualificativo. Trazia um vaso de alabastro, quer dizer, de uma espécie de mármore branco muito usado na feitura de pequenos vasos para perfumes. a descrição do facto dada pelo Evangelho é comovente e explicativa da qualidade da vida interior daquela mulher: Colocou-se por detrás de Jesus, chorando aos pés dele, e começou a banhar-lhe os pés com as suas lágrimas. Depois enxugou-lhos com os seus cabelos, beijou-lhos e ungiu-os com o perfume que trazia no vaso. Seguindo as normas que regiam a crença dos fariseus, no seu coração Simão acusa Jesus de desobedecer ao princípio que, ao deixar-se tocar por esta pecadora, Jesus tornava-se impuro legalmente. a cena é uma fonte inesgotável de ensinamentos para quem deseja viver uma vida de intimidade com Deus em Jesus Cristo. a mulher sente em si o aguilhão dos seus pecados e deseja ardentemente o perdão que o amor de Deus dá e deixará a sua consciência numa paz de preço incalculável. Este desejo não para na sentimentalidade, mas traduz-se num gesto que, bem ela sabia, ia ser criticado por muitos: mas isso não lhe importava; para ela, essa humilhação era paga efémera do favor imenso que para ela era o perdão. Beijava os pés de Jesus que, porque ele usava sandálias sem meias, estavam sujos de poeira – e o anfitrião Simão, violando as leis da hospitalidade, não oferecera a Jesus água para lavar os pés. Chorava, a mulher arrependida. O choro é uma das grandes qualidades do ser humano, uma das mostras mais reais do que se passa no nosso coração. alguém diria mesmo, não chorar é não sentir.com os seus cabelos, enxugava a pecadora os pés de Jesus molhados pelas lágrimas dela. Mesmo São Paulo nos diz que o cabelo da mulher era para ela uma glória, o cabelo que lhe foi dado como um véu (1 Cor 11, 14). Os cabelos antigamente eram importantes e tinham um significado de grande dignidade. a força de Sansão estava no seu cabelo comprido. ana prometeu a Deus que nunca o cabelo de seu filho Samuel seria cortado. Conclusões para cada um de nós que vivemos às vezes atafulhados em crises políticas, financeiras, e mormente espirituais – por ausência de valores. Em Cristo, Deus não faz aceção de pessoas: todos somos objeto do seu amor, do seu perdão. E Cristo veio mais para os pecadores que para os justos. Que bom se a classe portuguesa se lançasse aos pés de Jesus, soluçando e pedindo perdão para os seu desvarios, oferecendo o perfume da decisão de mudança de vida. E ouvíssemos todos o Coração do Filho de Deus dizer-nos: Olha! Os teus muitos pecados são-te perdoados. Mas para isso, até onde já chegámos nós no caminho da fé e do pedir perdão?