«Muitas mulheres estrangeiras casadas com coreanos são ainda atormentadas em locais desprovidos de proteção dos direitos humanos», afirma Han Kuk-yeom, fundadora e diretora do Centro dos Direitos Humanos para Mulheres Imigrantes
«Muitas mulheres estrangeiras casadas com coreanos são ainda atormentadas em locais desprovidos de proteção dos direitos humanos», afirma Han Kuk-yeom, fundadora e diretora do Centro dos Direitos Humanos para Mulheres ImigrantesSó em 2012, três mulheres foram assassinadas pelos maridos, enquanto outras continuam a sofrer violência doméstica, na Coreia do Sul. Em certos casos, também os filhos são vítimas, pois acabam por ser discriminados nas escolas. apesar da situação de muitas estrangeiras casadas com coreanos, sobretudo nas áreas rurais, ter melhorado significativamente nos últimos anos, a verdade é que outras continuam sendo vítimas de abusos e discriminação. Muitas delas são jovens que foram compradas por homens de meia-idade, para quem esta é a única forma de poderem casar e ter descendência. Quase todas são provenientes de países do sudoeste asiático, principalmente Vietname e Camboja, bem como da Mongólia e Filipinas. Há também muitas oriundas da China, as quais são descendentes de coreanos que imigraram em tempos passados, por isso partilham a mesma língua (falam chines e coreano), mas não a mesma cultura. a maioria chega à Coreia do Sul sem conhecer a cultura, dá à luz quase sempre no primeiro ano do casamento e, em caso de separação, geralmente os filhos ficam com o pai. a vida não muda muito para elas, pois são elas próprias originárias, em grande maioria, de zonas muito pobres nos seus países de origem e, por vezes, vendidas pela própria família. Chegando à Coreia, têm literalmente de sobreviver sem conhecer o marido, sem falar a língua nem conhecer os costumes e algo muito importante: cozinhar comida coreana. O governo e várias autoridades regionais têm aumentando esforços no sentido de lhes proporcionar oportunidades de inserção a vários níveis: cursos de língua e de culinária coreana, mas muitas têm que frequentar as aulas com os filhos, que apesar de serem cidadãos coreanos, sofrem discriminação por serem diferentes. De acordo com um relatório recente do Ministério da Igualdade, quase metade das mulheres imigrantes (mais de 100 mil) são vítimas de violência doméstica. Não obstante os esforços do governo, os seus direitos humanos continuam a ser violentados. Existem atualmente cerca de 22 centro de acolhimento para mulheres que fugiram de casa, com seus filhos; só que são pequenos (só podem receber 12 pessoas no máximo) e, como tal, Han Huk yeom apela o governo para que construa mais. O seu centro, criado em 2001, apoia precisamente estas mulheres que fugiram por medo da violência, muitas vezes causada pelo álcool. Nele, as mulheres e filhos encontram ajuda com o coreano, abrigo e aconselhamento psicológico. Em 2010, ela recebeu o Prémio Civil dos Direitos humanos e o prémio Yoon Kwan-soon (1904-1920: heróina da revolução coreana contra a ocupação japonesa), em 2011.