além dos danos fí­sicos, a malnutrição faz com que as crianças tenham mais dificuldades para aprender a ler, a escrever e para resolver operações simples de aritmética, alerta a organização Save the Children
além dos danos fí­sicos, a malnutrição faz com que as crianças tenham mais dificuldades para aprender a ler, a escrever e para resolver operações simples de aritmética, alerta a organização Save the ChildrenMais de 7300 crianças, da Etiópia, Índia, Vietname e Peru, foram motivo de estudo no âmbito do relatório Food for Thought, da organização internacional Save the Children, divulgado esta semana. O trabalho de investigação demonstrou que as crianças mal alimentadas tinham maiores dificuldades para aprender a ler e a escrever.
aos oito anos de idade, 19 por cento das crianças subnutridas exibiram uma maior tendência para se enganar na leitura de frases simples como, por exemplo, o sol está quente; 12,5 por cento revelaram maior disposição para o erro na escrita e sete por cento tinham um desempenho pior na execução de operações simples de aritmética do que os colegas sem défices nutricionais.
O relatório cita um rapaz de 12 anos da Etiópia, Shambel: as crianças que tomam pequeno-almoço antes de vir para a escola aprendem bem a lição, mas para mim é mais difícil porque não como o suficiente. Segundo as estimativas avançadas pela Save the Children, uma em cada quatro crianças do mundo sofrem de atrofia ou tem o seu desenvolvimento impedido devido a deficiências na alimentação.

No seu relatório, a Organização Não Governamental (ONG) aponta para os danos irreversíveis da malnutrição crónica em milhões de crianças de países em desenvolvimento, que não só faz o risco de morte infantil disparar, mas que também põe em causa a sua aprendizagem, e o seu acesso a um emprego mais qualificado.
Nos países em desenvolvimento, a subnutrição é um dos fatores que explica a crise de iliteracia, alertou Jasmine Whitbread, diretora executiva da Save the Children International, na apresentação do relatório. São milhões de crianças, um quarto da população infantil, que tem o seu desenvolvimento cognitivo e educativo em risco, sublinhou, citada pelo jornal Público.
as conclusões deste relatório confirmam os nossos piores receios: de que a malnutrição prejudica irreversivelmente as hipóteses de futuro de uma criança mesmo antes de ela pôr os pés numa sala de aula. É verdade que foram feitos enormes progressos no combate à mortalidade infantil, mas o facto de 25 por cento das crianças do mundo terem à partida o seu desempenho escolar comprometido tem graves consequências em termos dos esforços para pôr fim à pobreza global, referiu.
Desde 1999, o número de crianças que passou a frequentar o ensino básico aumentou em mais de 40 milhões. Mas isso não resolve a crise global na educação, uma vez que, por causa das carências alimentares, temos 130 milhões de crianças na escola sem conseguir aprender. Ou seja, continuam sem ter as competências básicas e, por isso, sem ter a oportunidade de cumprir o seu potencial e levar uma vida produtiva, lamentou.