Experiência missionária com as comunidades indígenas da amazónia deixa casal de leigos com vontade de fazer mais pelos outros. Os jovens enfermeiros ainda tiveram tempo para ajudar as crianças, dando aulas de educação para a saúde
Experiência missionária com as comunidades indígenas da amazónia deixa casal de leigos com vontade de fazer mais pelos outros. Os jovens enfermeiros ainda tiveram tempo para ajudar as crianças, dando aulas de educação para a saúdeCláudia Machado e Fábio Mucavel são dois jovens portugueses, enfermeiros e muito corajosos. Na impossibilidade de pedirem uma licença sem vencimento, utilizaram as férias para realizar uma experiência missionária em Soplin Vargas. ambos viveram dias de grande alegria, com muitos desafios pela frente, na fronteira amazónica Colômbia-Peru. Fascinados com a viagem pelo rio Putumayo, símbolo da união entre povos e culturas para os indígenas, os jovens confessam que regressam a casa com um olhar novo sobre o mundo e a própria vida Fátima Missionária O que vos motivou a conhecer esta missão tão distante e tão diferente do vosso quotidiano? Cláudia de Fábio Há muito tempo que tínhamos o desejo de viver uma experiência missionária. Queríamos conhecer o trabalho dos missionários noutras partes do mundo, trabalhar com pessoas mais desfavorecidas, conhecer outras culturas e modos de viver, que têm tanto de diferentes, como de iguais em relação aos nossos. a oportunidade surgiu quando nos desafiaram a conhecer a missão em Soplin Vargas, onde trabalham os Leigos Missionários da Consolata Viviana Nunes e Rui Sousa. FM apesar das dificuldades iniciais para falar o espanhol, conseguiram dar formação sobre a educação para a saúde aos jovens. Cláudia e Fábio É verdade. De início as conversações não decorreram de forma muito fluente. Mas, aos poucos, as dificuldades linguísticas foram ultrapassadas e conseguimos adaptar-nos. Em relação às atividades, foi possível realizar formações em educação para a saúde, com as crianças do ensino básico e os jovens do ensino secundário.com as mais novas foi abordada a importância da família no seu crescimento, e mais especificamente, o papel de cada um deles, como filho/filha, assim como, com os seus pares. a ação dirigida aos adolescentes baseou-se no crescimento e desenvolvimento destes, enquanto filhos, futuros pais e cidadãos responsáveis. Tentou-se deste modo, responder a algumas dúvidas que estes apresentaram, e realçar a importância da maturidade e da informação, de modo a fazerem escolhas saudáveis. FM Que vivências marcaram a vossa visita à missão? Cláudia e Fábio Imensas. a viagem pelo rio Putumayo fez-nos embarcar pela aventura que é a amazónia, e remeteu-nos para uma beleza natural que só conhecíamos pela televisão. Pudemos também testemunhar a forma como a maior parte das pessoas de Soplin toma banho, que é no rio. apesar da água ser barrenta, a população utiliza-a para a sua higiene diária, assim como para a confeção dos seus alimentos. Por último, o que mais nos marcou foi o contacto com as crianças. São simples, genuínas, recebem tudo o que lhes é dado de coração aberto, e vivem com um sorriso sempre presente. É impossível não nos enamorarmos por elas. FM a vossa chegada a Puerto Leguízamo coincidiu com um momento histórico para a Igreja local. Cláudia e Fábio Sim, pudemos acompanhar a tomada de posse do bispo Joaquin Pinzón.como o vicariato já estava ansiosamente a aguardar a chegada de um bispo, esta festa foi comemorada por toda a população e todos fomos presenteados com diversas atividades culturais. Foi realmente uma estreia para nós, pois nunca tínhamos acompanhado tão de perto um acontecimento desta dimensão. FM Devido a essa grande festa puderam conhecer muitos missionários que trabalham não só nesta fronteira, Colômbia-Peru, mas em muitos outros locais da Colômbia e Equador. Que impacto é que esse contacto teve na vossa vivência missionária? Cláudia e Fábio Foi muito enriquecedor conhecer pessoas que contactam com as diferentes culturas e que têm vivências e histórias tão diversificadas. apercebemo-nos que os missionários estão sempre prontos para partilhar o seu espírito de missão, onde seja necessário. Por vezes, têm de prescindir do conforto de já estarem integrados numa comunidade para construir novas relações e novos projetos noutros locais. Para além disso, as condições nos campos de trabalho não são as mais favoráveis, e mesmo assim, eles não deixam de estar junto das populações e de realizar a sua missão. Estas experiências fizeram-nos refletir no nosso projeto de vida, e sentir que podemos dar sempre um bocadinho mais de nós. Ficamos mais despertos para o que realmente é essencial. FM Em relação à nova missão de Soplin Vargas, que necessidades identificaram como mais urgentes para uma ajuda mais efetiva à população? Cláudia e Fábio Parece-nos que a população não necessita tanto de bens materiais, mas sim de uma orientação em relação aos valores de família, responsabilidade e cidadania, que a permanência da Igreja pode transmitir. a construção da casa dos missionários permitiria a uma presença mais constante e integrada na comunidade. Constatámos ainda que falta muita informação relativa ao planeamento familiar para os jovens, visto que a gravidez na adolescência é uma problemática neste local. FM Para terminar, que balanço fazem desta experiência? Cláudia e Fábio Foi uma experiência que nos fez sair da nossa comodidade, permitiu-nos conviver com pessoas culturalmente diferentes, aceitar a sua cultura e tentar compreendê-la, e experimentar novas situações, que também puseram à prova a nossa capacidade de integração e adaptação. Se já nos sentíamos pessoas inquietas, com vontade de fazer sempre mais e melhor, partimos com a ideia de que ainda nos resta fazer muito.