a luta mundial contra a pirataria na Somália tem-se centrado na perseguição dos piratas e na mobilização das forças navais. Mas para chegar à raiz do problema é preciso ajudar o país a ganhar estabilidade Política e tornar os sequestros menos rentáveis
a luta mundial contra a pirataria na Somália tem-se centrado na perseguição dos piratas e na mobilização das forças navais. Mas para chegar à raiz do problema é preciso ajudar o país a ganhar estabilidade Política e tornar os sequestros menos rentáveisPerseguir o sistema e não apenas os piratas. Esta é a principal conclusão de um estudo do Departamento de Pesquisa do Banco Mundial sobre os efeitos da pirataria na Somália, na economia nacional e internacional. até agora os esforços no combate ao sequestro de navios no Corno de África têm-se centrado na perseguição dos piratas e no reforço da vigilância naval. Mas o autor da investigação, Quy-Toan Do, defende uma mudança de paradigma, em que o foco da atenção passe a estar em quem torna possível a pirataria e não tanto nos responsáveis por esta atividade. É que, para o economista, os atos de extorsão são um sintoma do colapso do sistema político na Somália. Segundo Toan Do, há três elementos essenciais na génese dos ataques: o capital político, os recursos humanos e os recursos financeiros. a competição entre clãs, a par da colonização europeia, deixaram muitas áreas sem instituições que funcionem de modo adequado, e isso tem permitido aos piratas o recrutamento de jovens locais, a compra de lanchas rápidas e, o mais importante, o controlo de zonas costeiras onde podem ancorar as embarcações sequestradas durante meses ou anos. Incentivos locais Entre 2005 e 2012, calcula-se que mais de 3. 740 membros da tripulação de 125 países foram vítimas de piratas somalis, e pelo menos 97 morreram. O valor dos resgates obtidos nesse período terá atingido os 293 milhões de euros. E os efeitos da pirataria no comércio apresentam um custo global anual de cerca de 13 mil milhões de euros, pois obrigam as operadoras a mudar de rotas, a gastar mais em combustível e a pagar prémios de seguro mais elevados. Para atacar este problema, Quy-Toan Do propõe que se comece pela consolidação do Estado na Somália, identificando melhor a forma de funcionar da economia política da distribuição dos recursos, para se compensar os ganhadores e punir os perdedores. Ou seja, sugere, entre outra medidas, a atribuição de incentivos às autoridades locais que aceitem reduzir as zonas costeiras disponíveis para receberem barcos sequestrados. Só assim os crimes de extorsão se tornariam menos rentáveis para os piratas.