O sequestro dos dois bispos ortodoxos na Síria, dos quais ainda não há notícias, foi apenas mais um entre os cerca de 2. 000 registados no país, desde o início da guerra civil. Um flagelo que se transformou num «bom negócio» para os grupos armados
O sequestro dos dois bispos ortodoxos na Síria, dos quais ainda não há notícias, foi apenas mais um entre os cerca de 2. 000 registados no país, desde o início da guerra civil. Um flagelo que se transformou num «bom negócio» para os grupos armados Mais do que a religião, o motivo é o dinheiro. Segundo antoine audo, bispo caldeu de aleppo, o flagelo dos sequestros que assola a Síria tem apenas uma finalidade: a procura de rendimentos por parte dos gangues armados. Para estes grupos, a guerra civil transformou-se num bom negócio, que atingiu já perto de 2. 000 pessoas, vítimas de extorsão. O caso mais recente envolve dois bispos ortodoxos, sequestrados dia 22 de abril. a libertação dos prelados chegou a ser anunciada pelas agências internacionais, mas até agora não se confirmou. Desconhece-se também se já foi feito algum pedido de resgate. antoine audo conhece de perto muitos outros casos. Em declarações à agência Fides, relatou, por exemplo, a história de um cristão arménio que esteve em cativeiro três semanas. Foi libertado depois de pagar 11 mil euros e disse que o líder do grupo só queria o dinheiro e não estava minimamente preocupado com a ideologia ou religião do refém. Num outro caso, um sacerdote foi solto 11 dias depois do sequestro, mediante o pagamento de 76 mil euros, reunidos com dificuldade pelos familiares. Temos um património de valores a defender, especialmente a unidade na diversidade de culturas e religiões. O conflito não é sectário ou confessional. Hoje há luto e violência. Há anos atrás, havia opressão do povo e as pessoas tinham uma liberdade apenas de fachada. Os valores que desejamos são liberdade e democracia, mas isso leva tempo para fazê-los amadurecer, para educar a população para dinâmicas democráticas e concentrar a vida no conceito de cidadania. Temos de sair dessa armadilha de ver o outro como infiel’, no campo religioso, ou como um traidor’, no campo político, afirmou o bispo, que é também o presidente da Cáritas Síria.