Documento encomendado pelo ministro do Interior brasileiro andou perdido 45 anos. Foi descoberto recentemente e vai ser analisado pela Comissão Nacional de Verdade do Brasil, que investiga as violações de direitos humanos ocorridas entre 1947 e 1988
Documento encomendado pelo ministro do Interior brasileiro andou perdido 45 anos. Foi descoberto recentemente e vai ser analisado pela Comissão Nacional de Verdade do Brasil, que investiga as violações de direitos humanos ocorridas entre 1947 e 1988São mais de 7. 000 páginas com informações detalhadas de assassinatos em massa, torturas, escravidão, guerra bacteriológica, abusos sexuais e apropriação ilegítima de terras. O relatório Figueiredo, recuperado 45 anos depois, traça um cenário chocante das atrocidades cometidas contra os índios brasileiros nos anos 1940, 50 e 60, que em alguns casos levou à extinção das tribos. O dossier esteve escondido todos estes anos no Museu do Índio e vai agora servir de base de trabalho à Comissão Nacional de Verdade do Brasil, que investiga as violações de direitos humanos praticadas no país. Segundo a Survival Internacional, organização que defende os povos indígenas, um dos muitos exemplos constantes do relatório descreve o massacre do paralelo 11, em que foi lançado dinamite de um pequeno avião sobre a aldeia dos índios Cinta Larga. Morreram 30 indígenas e só dois sobreviveram para testemunhar o ataque. Outras descrições relatam o envenenamento de centenas de índios com açúcar misturado com arsénio. a divulgação dos resultados do relatório, em finais dos anos 1960, levou à extinção do Serviço de Proteção ao Índio (SPI) – mais tarde substituído pela Fundação Nacional do Índio (FUNaI). Em sede judicial, 134 funcionários foram acusados de mais de 1. 000 crimes, 38 foram demitidos, mas ninguém foi preso pelas atrocidades cometidas. Depois disso, o documento foi dado como desaparecido, com a justificação de que teria sido destruído por um incêndio. agora, com a redescoberta do dossier, volta a ser exigida justiça. O relatório Figueiredo faz uma leitura horrível, mas de uma forma, nada mudou: quando se trata do assassinato de índios, reina a impunidade. Homens armados matam rotineiramente índios com a consciência que há pouco risco de serem julgados e punidos – nenhum dos assassinos responsáveis por atirar contra líderes Guarani e Makuxi foi preso pelos seus crimes. É difícil não suspeitar que o racismo e a ganância estão na raiz do fracasso do Brasil em defender as vidas de seus cidadãos indígenas, lamenta o diretor da Survival, Stephen Corry.