Relatora das Nações Unidas pede ao governo moçambicano que tome medidas para proteger os agricultores dos abusos das empresas multinacionais de mineração. algumas povoações correm o risco de desaparecer
Relatora das Nações Unidas pede ao governo moçambicano que tome medidas para proteger os agricultores dos abusos das empresas multinacionais de mineração. algumas povoações correm o risco de desaparecerHá que proteger os agricultores dos abusos das multinacionais de mineração, afirmou a relatora especial da ONU dos Direitos Humanos e Extrema Pobreza, Magdalena Sepúlveda, depois de se reunir com os representantes das comunidades que tiveram que abandonar as suas casas por causa da extração de carvão, em Maputo e nas províncias de Gaza e Zambézia, em Moçambique. Sepúlveda esteve em visita oficial ao país e foi confrontada com inúmeras queixas e pedidos de ajuda, relacionadas com o acordo entre o governo e uma multinacional brasileira, para exploração das minas de carvão. Um dos temas recorrentes foi a chamada política de reassentamento que, no essencial, seria como apagar do mapa povoações inteiras para darem lugar a minas a céu aberto. a expulsão das comunidades dos seus locais de origem pode ser encarada apenas em último recurso e perante a falta de alternativas, mas sempre com a plena participação da população na tomada de decisões, disse a relatora da ONU, pedindo medidas urgentes ao governo que obriguem as multinacionais a não prejudicar os direitos das comunidades locais. a descoberta de jazidas de carvão, sobretudo na província de Tete, e de gás natural, no Canal de Moçambique, abrem novas frentes de oportunidades no país, que devem ser bem aproveitadas, segundo Magdalena Sepúlveda. a relatora recorda que em 1992 a nação estava devastada, com taxas de analfabetismo e pobreza impressionantes. Nos últimos anos foram alcançados enormes progressos e agora é altura de aproveitar as oportunidades dos recursos naturais, sem perder tempo, acrescentou.