Questões relacionadas com a apropriação de terras de agricultores africanos estiveram no centro do debate organizado pela Rede aEFJN, em Bruxelas, por ocasião dos 25 anos da organização
Questões relacionadas com a apropriação de terras de agricultores africanos estiveram no centro do debate organizado pela Rede aEFJN, em Bruxelas, por ocasião dos 25 anos da organizaçãoOs poços de petróleo não cessam de aumentar e a vítima da petrolização é o setor agrícola, afirmou Berilengar Dathol, um jesuíta africano, da organização não governamental CaFOD, do Chade. Durante a mesa redonda, organizada em Bruxelas pela Rede África/Europa (aEFJN), sobre a apropriação de terras em África, os intervenientes demonstraram que a ocupação das terras pelas multinacionais põe em risco a segurança alimentar dos agricultores africanos. Troca-se a propriedade da terra por um sistema de compensação que não é durável. Para o europarlamentar Leonardo Muzzi, especialista em questões de alimentação e agricultura, trata-se de um problema que deve ser resolvido pelos governos locais. Por seu lado, os africanos rebatem, afirmando que o que está em causa são os acordos de Parceria Económica (aPE), que devem ser revistos.

as consequências da exploração do petróleo para o ambiente são funestas, assim como a exploração intensiva da agricultura.com a chegada das multinacionais, os agricultores perdem as suas culturas, a fumigação a tapete tem efeitos desastrosos. Por exemplo, a produção de bananas, com mais de 70 por cento para exportação, é feita em condições degradantes e a União Europeia está implicada neste negócio, foi afirmado durante o debate. Planos para atenuar os efeitos negativos da exploração do petróleo, apesar das promessas, nunca foram executados.

a Rede África Europa, Fé e Justiça, na sigla inglesa aEFJN, está a celebrar 25 anos. a história das atividades em prol da defesa dos direitos dos países africanos foi traçada pela diretora do secretariado, a espanhola Begona Inãrra. Fundada há 25 anos, tem a sua sede em Roma e depende de um grupo de meia centena de congregações religiosas. Para uma melhor consecução dos seus objetivos tem um secretariado em Bruxelas junto da União Europeia e conta com antenas em vários países de Europa: Portugal, Espanha, Bélgica, alemanha, França, Reino Unido e Irlanda. a rede está presente em vários países de África e américa, propondo-se fazer lobbing junto dos seus governos para tornar mais coerentes e justas as relações entre África e Europa.