Relatório das Nações Unidas revela que mais de 3. 000 mulheres foram abusadas sexualmente por rebeldes e elementos das forças de segurança, em 2012, na província oriental da República Democrática do Congo
Relatório das Nações Unidas revela que mais de 3. 000 mulheres foram abusadas sexualmente por rebeldes e elementos das forças de segurança, em 2012, na província oriental da República Democrática do Congo Os casos de violação são os mais frequentes. O ano passado, perto de 3. 300 mulheres sofreram abusos e agressões sexuais na província oriental da República Democrática do Congo (RDC), de acordo com um relatório agora divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a População (FNUaP). E estes dados referem-se apenas às vítimas que puderam receber assistência médica, psicológica e judicial para a reintegração socioeconómica. De acordo com o documento, 75 por cento dos crimes registaram-se no distrito de Ituri, que se encontra em guerra há 10 anos. Foram detetadas várias situações de violação coletiva e cerca de metade das mulheres abusadas tinha entre 12 e 17 anos. Em consequência das violações, verificaram-se 62 casos de gravidez, 14 de transmissão do vírus da Sida e 75 de contágio com doenças infeciosas diversas. Uma outra investigação, desenvolvida por uma equipa constituída por elementos do exército, da polícia e da missão da ONU (MONUSCO), apurou os nomes de 229 vítimas de violações, torturas, homicídios e saques, cometidos desde março de 2012, em Mambasa, pelas milícias do senhor da guerra, conhecido por Morgan. O grupo armado ocupou a cidade em janeiro, mas foi expulso pelo exército, após confrontos violentos que causaram 14 mortos e milhares de deslocados. Morgan é um antigo caçador furtivo de elefantes e produtor de ouro da região de Ituri que, amparando-se na suposta defesa dos interesses da população local contra a propagação de reservas de caça, se tornou num dos comandantes mais violentos da zona e num conhecido traficante de marfim para o mercado asiático, segundo a agência Europa Press.