Estudantes do Centro indígena de Formação da Raposa Serra do Sol, em Roraima, no Brasil, criaram uma zona de plantio onde aplicam os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas. a experiência está a revelar-se um sucesso
Estudantes do Centro indígena de Formação da Raposa Serra do Sol, em Roraima, no Brasil, criaram uma zona de plantio onde aplicam os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas. a experiência está a revelar-se um sucessoEm contradição com o discurso político de que a homologação em área contínua da Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol é o maior entrave para o desenvolvimento do Estado de Roraima (Brasil) no que diz respeito à produção agrícola, os estudantes do Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol (CIFCRSS), antiga Missão do Surumu, procuram mostrar, através do projeto de implantação do Sistema de Plantação em Mandala, que tal afirmação não tem fundamento e que é possível contribuir para o desenvolvimento do Estado de forma sustentável, preservando o meio ambiente e respeitando os conhecimentos tradicionais dos povos indígenas. O projeto, iniciado em fevereiro deste ano, contou com a participação de cinco estudantes do Centro Indígena de Formação, das áreas de agropecuária, gestão e manejo ambiental, que efetuaram o plantio de algumas mudas num período de apenas um mês. Nesse campo, foram plantadas 50 espécies entre hortaliças, frutíferas, madeiráveis e plantas medicinais. a zona de cultivo tem uma área de 26 metros quadrados e uma maloca para abrigar caprinos, suínos e outros animais de pequeno porte. O líder indígena Jacir José de Sousa, Macuxi da comunidade de Maturuca, visitou o local e manifestou satisfação em relação à iniciativa dos alunos em apresentar resultados da formação adquirida no Centro Indígena, servindo como exemplo a outras terras indígenas, e para mostrar ao Estado as possibilidades de uma agricultura diferenciada que possa responder às necessidades e realidades das comunidades nativas. O Centro Indígena de Formação e Cultura Raposa Serra do Sol, localizado na comunidade indígena Barro, região do Surumu, foi alvo de destruição e ameaças cometidas por invasores, em 2005, devido à homologação em área contínua da TI Raposa Serra do Sol. apoiando-se no lema queimaram e destruíram nossas casas, mas não destruíram nossos sonhos, os jovens estudantes, lideranças e parceiros da causa indígena permanecem unidos e fortalecidos na defesa dos direitos dos povos indígenas, uma luta que dura mais de 40 anos.