O cardeal Jaime Ortega revelou o discurso que o então cardeal Bergoglio fez na congregação geral: um discurso «magistral, perspicaz, envolvente e verdadeiro», articulado em quatro pontos que expressam a sua visão pessoal sobre a Igreja do nosso tempo
O cardeal Jaime Ortega revelou o discurso que o então cardeal Bergoglio fez na congregação geral: um discurso «magistral, perspicaz, envolvente e verdadeiro», articulado em quatro pontos que expressam a sua visão pessoal sobre a Igreja do nosso tempoDe acordo com a agência Zenit, o cardeal Jaime Ortega, na homilia da primeira missa celebrada em Cuba depois da eleição do novo papa, revelou o discurso do cardeal em quatro pontos que se podem considerar programáticos para a Igreja do nosso tempo. O primeiro ponto é a evangelização: a Igreja deve deixar tudo e ir para as periferias, não só geográficas, mas também humanas e existenciais. Ela tem que chegar até os últimos, aproximar-se das pessoas onde se manifesta o pecado, a dor, a injustiça e a ignorância. O segundo ponto é uma forte crítica à Igreja autorreferencial, que olha para si mesma com uma espécie de narcisismo teológico que a distancia do mundo; uma Igreja e que pretende manter Jesus Cristo para si, sem deixá-lo sair. No terceiro ponto, o cardeal Bergoglio explicava as consequências dessa visão autorreferencial: uma igreja que já não evangeliza mais, mas cria uma vida mundana para si mesma. De acordo com o então arcebispo de Buenos aires, devem-se levar em conta essas consequências para se lançar luz sobre as possíveis mudanças e reformas de que a Igreja tem necessidade urgente. No último ponto, Bergoglio confessou aos cardeais a esperança que o novo papa seja um homem que, a partir da contemplação de Jesus Cristo, possa ajudar a Igreja a aproximar-se das periferias existenciais da humanidade. O cardeal Ortega pediu na altura o texto a Bergoglio. O então arcebispo de Buenos aires disse-lhe que tinha estabelecido alguns pontos mentalmente, mas não os tinha escrito. Na manhã seguinte, porém num gesto de extrema gentileza, Bergoglio levou ao cardeal Ortega uma folha de papel em que tinha escrito os pontos do discurso, conforme os recordava. Ortega perguntou se podia publicá-los depois do conclave, e Bergoglio disse que sim. Quando o arcebispo de Buenos aires se tornou o papa Francisco, o cardeal cubano perguntou se ainda poderia publicar o texto do seu discurso feito na congregação geral e o pontífice confirmou que sim.